Ouça a coluna ‘CBN Sabor’, com Fernando Kassab
Nos últimos dez anos, Assunto desta semana é a comida de botequim, a comida de boteco no Brasil passou por uma transformação significativa, conquistando reconhecimento como uma expressão importante da grande cozinha nacional. Embora o boteco tenha origem há pelo menos cinco séculos, sua valorização atual é resultado de um processo de renovação que o posiciona hoje como um espaço gastronômico prestigiado, presente não apenas em bares tradicionais, mas também em restaurantes, padarias e lanchonetes em todo o país.
Origem e expansão do boteco: O boteco tem raízes lusitanas e, historicamente, sua presença era mais forte nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Com o passar do tempo, esse estilo gastronômico migrou para diversas outras regiões do Brasil, adaptando-se às particularidades locais e conquistando novos públicos. Um exemplo recente dessa expansão é a cidade de Cristina, em Minas Gerais, que incorporou a comida de boteco em seu calendário cultural, promovendo eventos que valorizam essa tradição.
Festival de comida de boteco em Cristina
Com pouco mais de 10 mil habitantes, Cristina realiza anualmente, no mês de junho, o Festival Café com Música, evento já consolidado na região. Recentemente, o município passou a promover também um festival dedicado exclusivamente à comida de boteco. A iniciativa destaca petiscos, porções e pratos típicos, valorizando uma culinária que antes era associada a temperos fortes, excesso de gordura e porções volumosas. Atualmente, os preparos são feitos com menor uso de sal e óleo, refletindo uma abordagem culinária mais cuidadosa e contemporânea.
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Transformações na culinária de boteco: Comparado aos botecos das décadas passadas, especialmente os dos anos 1950, o boteco contemporâneo é visto quase como um endereço de luxo. Essa mudança está relacionada à qualidade dos ingredientes e à sofisticação das preparações. Um exemplo emblemático dessa transformação é o uso do jiló, tradicionalmente conhecido pelo sabor amargo e pela pouca variedade de preparos.
Hoje, o jiló é valorizado como um petisco de alta qualidade, preparado com temperos inéditos e técnicas sofisticadas que elevam o produto antes subestimado na culinária popular. Essa reinterpretação faz parte de um movimento mais amplo de resgate cultural, que alia tradição e inovação para ampliar o reconhecimento do boteco no cenário gastronômico nacional.
Receita de jiló à moda árabe: Uma das sugestões para preparar o jiló com essa nova abordagem é a seguinte: descascar finamente dez unidades, mantendo os cabinhos, e fritá-los em azeite em temperatura moderada até que fiquem tostados e levemente inchados. Em separado, espremer o suco de dois limões sobre três dentes de alho espremidos, temperar com sal e pimenta síria, e regar essa mistura sobre os jilós ainda mornos. O prato pode ser servido acompanhado de pão sírio ou pão francês, proporcionando uma experiência gastronômica que combina sabores tradicionais com técnicas contemporâneas.
Entenda melhor
O renascimento do boteco no Brasil reflete uma valorização crescente da culinária popular, que busca preservar tradições ao mesmo tempo em que incorpora inovações. A transformação dos pratos, como o jiló, demonstra um movimento cultural que resgata ingredientes e preparos tradicionais, aplicando técnicas modernas para ampliar o alcance e o prestígio do boteco no cenário gastronômico nacional.



