Tentativa de limpar a imagem da empresa foi comprovada em gravações obtidas pelo Ministério Público
O Ministério Público (MP) recebeu novos documentos que lançam luz sobre as atividades do site de compras Panq, incluindo gravações telefônicas que revelam práticas questionáveis no atendimento ao cliente. As gravações, obtidas pela rádio CBN, expõem o que parece ser um esforço coordenado para manipular avaliações em um conhecido portal de reclamações.
A Estratégia de Manipulação
Em uma das conversas, uma funcionária do Panq é ouvida tentando convencer um cliente insatisfeito a registrar uma avaliação positiva no site de reclamações, mesmo após o cliente ter reportado problemas com a compra. A funcionária alega que o produto será entregue e, em seguida, orienta o cliente a elogiar o atendimento no portal. Em outra gravação, uma atendente chega a oferecer seu e-mail pessoal, prometendo resolver a situação.
Novo Inquérito Policial
Segundo o promotor Aroldo Costa Filho, os novos documentos justificam a abertura de um novo inquérito policial. O promotor explica que o site de reclamações não oferecia uma opção para avaliar especificamente o atendimento da funcionária, o que levava os clientes a removerem suas queixas por completo. “Existe sim uma avaliação da empresa e a pessoa, obviamente, recebendo essa informação, achando que avaliar o serviço da funcionária acabava retirando ou avaliando favoravelmente o site no site de reclamação”, disse Costa Filho.
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Consciência das Fraudes
O promotor ainda afirmou que as atendentes estavam cientes das fraudes e, mesmo assim, tentavam convencer os clientes do contrário. “Sabiam que não iriam entregar o produto verdadeiro, quando entregavam, entregavam um falso e ainda pediam para a vítima retirar a reclamação do site para que outras pessoas não vissem essa observação negativa da empresa”, completa.
Milhares de Vítimas Potenciais
Além das gravações, o MP teve acesso a planilhas com mais de 3 mil nomes completos e endereços de pessoas que podem ter sido lesadas pela empresa. O MP solicitará a abertura de um novo inquérito para ouvir essas vítimas e obter um laudo pericial sobre os documentos.
As defesas de Michel P.R. Cintra e Viviane Boff-Emilio negam as acusações. Michel P.R. permanece foragido.
Os elementos apresentados indicam um padrão de comportamento destinado a distorcer a percepção pública sobre a empresa, levantando sérias questões sobre a ética e a legalidade de suas práticas comerciais.



