Os atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde cresceram 245% nos últimos dez anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2015, foram registrados 725 atendimentos. Em 2024, o número subiu para 2.500, e até setembro de 2025 já somava 100 consultas.
Para entender o que está por trás desse aumento, a CBN Ribeirão Preto conversou com o médico especialista em fertilidade masculina do CEFERP, Dr. Luís Fernando Boretti, que aponta dois movimentos principais: maior conscientização dos homens sobre a saúde reprodutiva e o crescimento de fatores que prejudicam a fertilidade.
Quebra de tabus
Segundo o especialista, o aumento dos atendimentos não significa apenas que os homens estejam mais inférteis, mas também mais atentos à própria saúde. A ampliação do acesso à informação e o fim gradual de tabus históricos têm levado mais homens a procurar ajuda médica.
“Hoje, com o advento da internet, os tabus estão sendo quebrados. O homem está procurando mais o urologista e se informando mais sobre fertilidade e infertilidade”, explica Borete.
Ele destaca que, por muitos anos, a investigação da infertilidade recaía quase exclusivamente sobre as mulheres, o que atrasava o diagnóstico masculino. Atualmente, a orientação médica é que o casal seja avaliado em conjunto desde o início.
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Fatores de risco
Apesar do aumento da conscientização, o médico alerta para fatores que têm contribuído diretamente para a infertilidade masculina. Entre eles estão o uso indiscriminado de testosterona e anabolizantes sem prescrição médica, além de hábitos de vida pouco saudáveis.
Obesidade, sedentarismo, tabagismo e doenças crônicas como diabetes e câncer também impactam negativamente a produção e a qualidade dos espermatozoides. Borete reforça que a reposição hormonal só deve ser feita com acompanhamento especializado.
“O uso irrestrito de testosterona, sem acompanhamento médico, é sim uma causa de infertilidade masculina”, afirma.
Diagnóstico tardio
A infertilidade masculina ainda costuma ser diagnosticada tardiamente, principalmente por questões culturais ligadas ao machismo. O especialista explica que muitos homens só procuram avaliação depois que a parceira já passou por diversos exames.
“Hoje a gente sempre orienta investigar os dois até o final. Pode existir fator masculino, feminino ou ambos, e isso muda completamente o tratamento”, destaca.
Ele reforça que a infertilidade não está relacionada à virilidade ou à masculinidade, e que são questões médicas distintas.
Exames e tratamento
Na maioria dos casos, a infertilidade masculina tem tratamento. O primeiro passo é a consulta médica, seguida de exames simples, como o espermograma, considerado o principal na investigação inicial.
Dependendo do resultado, podem ser solicitadas dosagens hormonais e exames complementares. Mesmo em quadros mais severos, como a ausência total de espermatozoides, existem alternativas por meio de microcirurgias e técnicas de fertilização in vitro.
“A maioria dos casos de infertilidade masculina é tratável”, ressalta o especialista.



