Pesquisa feita Centro Regional de Estudos mostra que entre classes mais baixas somente 41% têm acesso à internet
A pandemia expôs as desigualdades do ensino brasileiro, principalmente no acesso à tecnologia. Uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação revelou que 96% das casas das classes A e B possuem internet, enquanto apenas 41% das casas das classes D e E têm acesso à rede.
Desigualdade Digital no Aprendizado
A estudante Maria Eduarda Santos Lima, que mora com a mãe, irmãos e avó, ilustra bem essa realidade. Com acesso limitado à internet, o aprendizado remoto se tornou um grande desafio. A família utiliza apenas o celular da avó, que precisa dividir o aparelho entre os netos após o trabalho. A falta de internet e recursos tecnológicos compromete o rendimento escolar e o acesso ao conteúdo disponibilizado remotamente.
Consequências da Exclusão Digital
Dona Maria Margarida Santos, avó de Maria Eduarda, relata a dificuldade em auxiliar os netos com os estudos devido à falta de recursos. A pandemia agravou a situação, expondo as dificuldades de famílias de baixa renda em acompanhar o ensino remoto. A assistente social Ana Paula Cavalcante acompanha 130 famílias em Ribeirão Preto e observa que a falta de acesso à tecnologia se soma à falta de itens essenciais, como alimentação, impactando diretamente no aprendizado e bem-estar das crianças.
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Medidas para Enfrentar o Desafio
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo reconhece as dificuldades e planeja ações para minimizar os impactos da pandemia na educação. Darlene Stocco Colonese Gonçalves, dirigente regional de ensino de Ribeirão Preto, afirma que haverá uma avaliação diagnóstica dos alunos e um programa de recuperação com aulas extras e contratação de professores para auxiliar na recuperação do aprendizado perdido. Apesar dos esforços, os desafios da educação brasileira são numerosos e demandam discussões posteriores à pandemia.



