Apesar do crescimento de 9,86%, a quantidade de açúcar recuperáveis, os ATRs, apresentou queda
A produção de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil apresentou resultados mistos em agosto. Apesar do aumento na quantidade de cana processada, houve queda na produção de açúcar.
Moagem da Cana e Produção de Açúcar
Na segunda metade de agosto, foram processadas 47,8 milhões de toneladas de cana, um crescimento de 9,86% em comparação ao mesmo período de 2022. No mês inteiro, a moagem totalizou 90,52 milhões de toneladas, praticamente igual a julho. No entanto, a quantidade de açúcar recuperável (ATR) foi menor, com uma queda de 1,7 quilos em relação ao final de agosto de 2018 e 5 quilos em relação ao mesmo período do ano anterior. Para o especialista José Carlos de Lima Jr., da CBN Ribeirão, a qualidade da matéria-prima é o fator crucial, e a menor ATR indica uma transformação menos eficiente da cana em açúcar.
Produção e Comercialização de Etanol
Em contraponto, a produção de etanol atingiu um recorde na última quinzena de agosto, com 1,93 bilhão de litros produzidos, um aumento de 10% em relação ao período anterior. Esse crescimento foi impulsionado pela produção de etanol hidratado, usado como combustível. Segundo Antônio de Pado Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a opção pelo etanol é uma decisão econômica, considerando a redução na produção de açúcar devido aos baixos preços internacionais e o excesso de oferta no mercado mundial. O volume comercializado de etanol em agosto somou 3,08 bilhões de litros, com alta de 5,09% em relação a julho e de 3,85% em relação ao mesmo mês do ano passado. Desse total, 288,39 milhões de litros foram destinados à exportação e 2,7 bilhões de litros ao mercado interno.
Perspectivas para o Futuro
A expectativa para a próxima safra é de aumento na produção de cana e etanol, dependendo principalmente das chuvas. Antônio Eduardo Tonielo, diretor do setor, afirma que chuvas regulares entre outubro e janeiro são essenciais para uma produção maior. Um bom volume de chuvas resultaria em uma produção significativamente superior à do ano passado, com consequente redução no preço do etanol para o consumidor.



