Sobre estes distúrbios relacionados a alimentação, ouça a análise da psicóloga Danielle Zeoti no ‘CBN Comportamento’
A psicóloga Daniela Zeote discute a crescente preocupação com a anorexia e a bulimia em crianças e adolescentes, um problema que se agravou após a pandemia. Segundo ela, de 0,3% a 4,3% das meninas com até 12 anos podem desenvolver anorexia, enquanto em meninos esse número é menor, chegando a 1%.
Sinais de alerta em crianças e adolescentes
A especialista destaca a importância do diagnóstico precoce. Pais devem ficar atentos a sinais como restrição alimentar severa, preocupação excessiva com calorias, cessação do ganho de peso (ou ganho de peso abaixo da média esperada), medo intenso de engordar, comportamentos alimentares ritualizados (como cortar alimentos de forma específica ou evitar certas cores), e preferência por apenas um grupo alimentar (como doces ou carboidratos). Em adolescentes, o exercício físico intenso também é um sinal comum, assim como mudanças de humor, isolamento social e baixo rendimento escolar. É importante lembrar que nem todos os sintomas precisam estar presentes, e o diagnóstico deve ser feito por um profissional da saúde mental.
Bulimia na infância e adolescência
A bulimia, diferente da anorexia, não apresenta necessariamente distorção da imagem corporal, mas sim medo de engordar. Crianças e adolescentes com bulimia podem apresentar náuseas, dor de barriga e ânsia de vômito após comer, além de oscilações de peso. A bulimia pode ocorrer junto com a anorexia ou isoladamente. Comportamentos compensatórios, como uso de laxantes ou diuréticos, são mais comuns na adolescência.
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Tratamento e prevenção
O tratamento para transtornos alimentares requer uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogo, psiquiatra ou pediatra, e nutricionista. É um transtorno crônico, e o tratamento precoce é crucial para o sucesso. A prevenção inclui a conscientização sobre os fatores de risco, como antecedentes familiares, fatores biológicos (neurotransmissores), psicológicos (traumas, frustrações) e sociais (bullying, uso excessivo de redes sociais, negligência ou abuso). A comparação com padrões de beleza irreais nas redes sociais também contribui para a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. A compulsão alimentar, que pode levar à obesidade, é considerada o oposto da anorexia e da bulimia.
A busca por ajuda profissional o mais rápido possível é fundamental para garantir a saúde física e mental da criança ou adolescente, permitindo que ele tenha uma infância e adolescência saudáveis e felizes.