Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, na última quarta-feira, um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, elevando a Selic para 14,25%. Este é o sétimo aumento consecutivo, em um cenário econômico complexo.
O Dilema do Aumento da Taxa de Juros
Segundo Nelson Rocha Augusto, embora existam justificativas para o aumento da taxa de juros devido à alta inflação, a medida pode ser um “exagero na dose do remédio”. Ele argumenta que a economia brasileira já enfrenta uma queda significativa na atividade, com expectativas negativas, baixa confiança, inflação elevada e finanças públicas desequilibradas.
Inflação de Custo vs. Inflação de Demanda
Augusto enfatiza que a inflação atual não é de demanda, mas sim de custo, refletindo o aumento dos preços de energia elétrica, transportes públicos e outros serviços essenciais. Ele questiona a eficácia do aumento da taxa de juros para combater esse tipo de inflação, exemplificando que o preço do tomate não cairá por causa do aumento dos juros, mas sim pelo aumento da oferta.
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A Postura do Banco Central e as Expectativas Futuras
O Banco Central, em uma “queda de braço com o mercado”, sinaliza que manterá a taxa de juros elevada até que as expectativas de inflação diminuam. No entanto, Augusto expressa esperança de que, em um ou dois meses, as expectativas de inflação se ajustem devido à queda na atividade econômica, permitindo um ciclo de redução da taxa de juros no final do ano ou no início do próximo.
Paralelo com a Política do Fed nos EUA
Em contraste com o Brasil, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, optou por manter as taxas de juros inalteradas, demonstrando otimismo com a economia local. Embora uma alta seja possível em setembro, Augusto acredita que é improvável, dado o desempenho positivo da economia americana e a valorização do dólar, que podem impactar negativamente a atividade econômica futura nos Estados Unidos.
Implicações Globais e Perspectivas para o Futuro
Augusto ressalta que não é conveniente para ninguém que os americanos acelerem a subida da taxa de juros. Ele defende uma taxa de juros mais neutra, que auxilie a atividade econômica, tanto nos Estados Unidos quanto em outros lugares, como a Europa, que também mostra sinais de recuperação.
O cenário econômico global permanece incerto, com diferentes abordagens adotadas pelos bancos centrais em resposta à inflação e ao crescimento econômico. Acompanhar de perto esses movimentos será crucial para entender os rumos da economia brasileira e mundial.