Números trazem otimismo para o segundo semestre e uma ‘virada de chave’ para 2025; ouça a coluna ‘CBN Emprego e Oportunidades’
Indicadores recentes do mercado de trabalho brasileiro apontam para uma tendência de estabilidade e leve melhora nas condições de emprego nos próximos meses. Um estudo divulgado pelo Banco Santander, Impulsionar a criação de empregos no Brasil, baseado em metodologia inspirada pelo Federal Reserve de Nova York, analisou a expectativa das pessoas em relação à facilidade ou dificuldade de encontrar emprego, o que permite projetar o comportamento do mercado para os próximos oito a dez meses.
O estudo utiliza o diferencial de emprego, Impulsionar a criação de empregos no Brasil, que representa a diferença entre os respondentes das pesquisas de confiança da Fundação Getulio Vargas que consideram difícil encontrar trabalho e aqueles que consideram fácil. Quanto maior esse diferencial, maior a percepção de dificuldade na obtenção de emprego. A correlação entre esse indicador e a taxa de desemprego foi avaliada em dois períodos: a recessão de 2014 a 2016 e o pós-pandemia, a partir de 2022. Os dados indicam que o diferencial de emprego atual sinaliza uma tendência de queda na taxa de desemprego nos próximos meses.
Indicadores recentes do mercado de trabalho
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,8% no trimestre encerrado em junho, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a menor taxa para o trimestre desde o início da série histórica. Além disso, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou a criação líquida de 188 mil vagas formais em junho, superando a expectativa do mercado, que era de 183,1 mil vagas.
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O estudo do Santander estima que a taxa de desemprego continuará caindo até o final de 2023, atingindo cerca de 6,6%, e só deve começar a subir a partir do segundo trimestre de 2025, chegando a 7,2% em dezembro do próximo ano. Mesmo esse valor projetado é considerado historicamente baixo para o Brasil.
Metodologia e projeções do estudo: Inspirados por um estudo do Federal Reserve de Nova York, os economistas do Santander avaliaram a correlação entre o diferencial de emprego e a taxa de desemprego em diferentes períodos econômicos. A partir dessa análise, foi possível identificar que o diferencial de emprego atual, que vem caindo desde janeiro de 2022, indica uma percepção crescente de facilidade para encontrar trabalho, o que se reflete na redução da taxa de desemprego.
Em janeiro de 2022, o diferencial de emprego era de 88,5%, enquanto a taxa de desemprego em setembro daquele ano recuou 2,5 pontos percentuais em relação a oito meses antes, para 8,83%. Em outubro de 2023, o diferencial caiu para 59,7%, contra 78,6% no ano anterior, e a taxa de desemprego caiu para 6,8% em junho de 2023. Em julho de 2014, o diferencial de desemprego atingiu 48%, o menor nível desde 2015, indicando a possibilidade de manutenção de taxas de desemprego baixas no segundo semestre de 2023 e no primeiro trimestre de 2024.
Considerações sobre emprego formal, informal e empreendedorismo
Os dados analisados referem-se principalmente ao emprego formal, medido pelas estatísticas do IBGE e do Caged. No entanto, o mercado de trabalho brasileiro também conta com significativa movimentação de prestadores de serviços e microempreendedores individuais, que contribuem para a geração de emprego e renda, ainda que não estejam incluídos nas estatísticas formais.
Além disso, o emprego informal também representa uma parcela importante da força de trabalho, e seu comportamento pode influenciar as dinâmicas gerais do mercado. A expansão do empreendedorismo tem sido um fator relevante para a economia, com muitos microempreendedores gerando empregos, mesmo que de forma não formalizada.
Impactos da economia sobre o mercado de trabalho: O desempenho da economia está diretamente relacionado à geração de empregos. Quando a economia cresce, há maior circulação de dinheiro no mercado, aumento do consumo e, consequentemente, maior demanda por mão de obra para produção e prestação de serviços. Isso cria um ciclo virtuoso que beneficia trabalhadores e empresas.
Empresas com resultados econômicos positivos tendem a ampliar investimentos e contratar mais funcionários, o que contribui para a redução do desemprego. Por outro lado, a desaceleração econômica pode levar a uma redução na oferta de vagas e aumento do desemprego.
Importância do acompanhamento dos indicadores para empresas e trabalhadores: Empresas, agências de emprego e profissionais que buscam recolocação ou mudança de carreira precisam acompanhar atentamente os indicadores econômicos e do mercado de trabalho. Esses dados ajudam a orientar decisões sobre investimentos, contratações e direcionamento profissional.
O conhecimento das tendências do mercado permite que os trabalhadores se preparem para as profissões em alta e adquiram qualificações demandadas, especialmente em um contexto de transformações tecnológicas. Para as empresas, entender esses movimentos é fundamental para planejar contratações e investimentos de forma eficiente.
Panorama
As projeções para o mercado de trabalho brasileiro indicam um cenário positivo para os próximos meses, com manutenção de taxas de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento da oferta de empregos formais. Setores como eventos, hotelaria e turismo, especialmente em regiões como Ribeirão Preto, mostram otimismo para 2024, o que pode impulsionar a economia regional e gerar novas oportunidades.
Apesar das incertezas, a expectativa é que a economia continue sendo o motor para a geração de empregos, desde que haja coordenação entre políticas públicas, investimentos empresariais e preparação dos trabalhadores para as demandas do mercado.