Segundo Dimas Facioli, tradicionalmente no começo do ano, as empresas costumam dispensar os temporários; ouça a análise
Dados recentes do IBGE apontam alta na busca por trabalho no início de 2024, com impacto sobre a taxa de desemprego e as dinâmicas de ocupação em todo o país. O movimento, marcado por efeitos sazonais e pela retomada de candidatos que haviam interrompido a procura, divide os sinais entre melhora salarial e aumento do contingente sem ocupação.
Panorama nacional e números principais
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego subiu no trimestre encerrado em fevereiro, alcançando 7,8%, ante 7,5% no período imediatamente anterior. O contingente de pessoas em busca de trabalho cresceu na comparação trimestral e totalizou, aproximadamente, 8,5 milhões de desempregados — um avanço de 4,1% frente aos três meses anteriores, embora haja queda de 7,5% na comparação anual.
A população ocupada recuou 0,3% em relação ao trimestre anterior, mas cresceu 2,2% em 12 meses, chegando a cerca de 100,25 milhões de pessoas empregadas. A renda média do trabalhador ficou em R$ 3.110, com alta de 1,1% no trimestre e 4,3% na comparação anual. O aumento salarial é observado por autoridades como fator que pode pressionar a inflação de serviços.
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O mercado de trabalho apresenta sinais de resiliência, mas também efeitos sazonais: perde-se parte do impulso das contratações temporárias de fim de ano e volta a crescer a procura por vagas à medida que encerra-se o período de recebimento de benefícios, como o seguro-desemprego.
Ribeirão Preto: serviços puxam geração de vagas
Na região de Ribeirão Preto, os dados mostram avanço na criação de empregos em fevereiro de 2024. Foram registradas 2.024 vagas geradas no mês — resultado próximo ao observado em 2021, período de recuperação pós-pandemia. O setor de serviços foi o principal responsável pela alta, refletindo a importância local do comércio e das atividades de prestação de serviços para a empregabilidade.
Embora o aumento de vagas seja um sinal positivo, parte das contratações tende a ser temporária, influenciada por datas comemorativas e eventos regionais. Especialistas locais destacam a necessidade de que as oportunidades transitórias se convertam em ocupações permanentes para consolidar uma melhora sustentável no mercado de trabalho.
Perspectivas e desafios
Analistas ressaltam que a manutenção da oferta de empregos dependerá do comportamento da economia nos próximos meses. Eventos sazonais — como Dia das Mães e feiras e exposições regionais — costumam elevar a demanda por mão de obra, mas a geração de postos duradouros exige recuperação econômica mais ampla.
Além disso, a composição das vagas é relevante: enquanto o emprego formal com carteira no setor privado registrou leve alta (0,7% no trimestre até fevereiro), os trabalhos sem carteira recuaram 1,1%, indicando mudanças na qualidade das ocupações.
O quadro atual combina sinais contraditórios: há aumento da procura e recuperação de vagas em setores-chave, mas também uma elevação temporária do desemprego e desafios para a consolidação de postos fixos. A evolução dependerá da reação do mercado e das políticas econômicas que incentivem contratações mais estáveis.