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Aumento no número de pessoas trans no Brasil coloca em destaque a discussão sobre o uso de hormônios

Sociedade de Cardiologia de SP debateu sobre o tema para entender os riscos de terapias hormonais em especial para transgêneros
Aumento no número de pessoas trans
Sociedade de Cardiologia de SP debateu sobre o tema para entender os riscos de terapias hormonais em especial para transgêneros

Sociedade de Cardiologia de SP debateu sobre o tema para entender os riscos de terapias hormonais em especial para transgêneros

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) discutiu recentemente os riscos cardiovasculares associados ao uso de terapias hormonais para afirmação de gênero, Aumento no número de pessoas trans no Brasil coloca em destaque a discussão sobre o uso de hormônios, tema que ganhou destaque durante o último congresso realizado em junho de 2023. A preocupação principal refere-se ao impacto dessas terapias na saúde cardiovascular de pessoas transgênero, população estimada em mais de 1 milhão no Brasil, o que representa cerca de 0,7% da população total.

Durante o evento, a professora Elaine Frade Costa, livre-docente de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um panorama dos conhecimentos atuais sobre os efeitos das terapias hormonais na saúde cardiovascular, com foco especial nos homens trans que utilizam testosterona.

Riscos cardiovasculares em homens trans

Em estudo conduzido pela professora Elaine Frade Costa, foram acompanhados 36 pacientes homens trans que estavam em terapia hormonal por um período médio de quase 14 anos. Os resultados indicaram que os níveis de testosterona desses indivíduos eram semelhantes aos encontrados em homens cisgêneros. No entanto, foi observado um aumento significativo nos níveis de hemoglobina em comparação às mulheres, o que está associado aos níveis elevados de testosterona.

Além disso, foram avaliados outros fatores de risco cardiovascular, como alterações nos níveis de colesterol e pressão arterial. Não houve elevação do colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade, conhecido como colesterol ruim), mas foi detectada uma redução do HDL (lipoproteína de alta densidade, o colesterol considerado protetor). A diminuição do HDL é um fator de risco para doenças cardiovasculares.

Alterações na rigidez arterial e eventos cardiovasculares: Um dos achados mais preocupantes do estudo foi o aumento da rigidez arterial nos homens trans em terapia hormonal. Essa alteração é comumente observada em pessoas idosas e está associada a um maior risco cardiovascular. No caso dos pacientes estudados, a rigidez arterial foi maior do que a encontrada em indivíduos cisgêneros da mesma idade e sexo, sugerindo um possível efeito deletério da terapia hormonal sobre a função circulatória.

O estudo também avaliou a incidência de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e tromboembolia. Foi constatado um aumento na ocorrência de infartos do miocárdio em homens trans em comparação à população cisgênera. Em relação ao AVC e à tromboembolia, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas.

Riscos em mulheres trans e uso de estrogênios

Para mulheres trans que utilizam estrogênios, o principal risco cardiovascular identificado é a tromboembolia, que pode variar conforme o tipo de hormônio utilizado e a via de administração. Outros fatores que influenciam esse risco incluem alterações nos níveis de prolactina, o desenvolvimento de câncer de mama e o aumento de doenças cardiovasculares.

A literatura médica indica que alguns tipos de estrogênios podem apresentar maior potencial deletério. Um exemplo citado pela professora Elaine é o estrogênio equino conjugado, frequentemente utilizado, que pode aumentar os riscos cardiovasculares.

Considerações finais sobre as terapias hormonais para afirmação de gênero: Os dados apresentados evidenciam a importância de um acompanhamento médico rigoroso para pessoas trans que utilizam terapias hormonais, considerando os potenciais riscos cardiovasculares associados. A avaliação individualizada e o monitoramento contínuo são essenciais para minimizar complicações e garantir a segurança dos pacientes.

Esses achados reforçam a necessidade de mais pesquisas para compreender completamente os efeitos das terapias hormonais na saúde cardiovascular e para desenvolver protocolos que possam reduzir os riscos identificados.

Informações adicionais

O estudo mencionado contou com uma amostra limitada de 36 pacientes homens trans, o que pode influenciar a generalização dos resultados. Além disso, não foram divulgados detalhes específicos sobre os tipos e dosagens dos hormônios utilizados, nem sobre a presença de comorbidades nos participantes.

É importante destacar que as terapias hormonais para afirmação de gênero são fundamentais para a qualidade de vida de pessoas trans, e os riscos devem ser gerenciados por profissionais especializados, com base em evidências científicas atualizadas.

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