Estudo do Cepea mostra que o produto teve reajuste real de praticamente 20% de janeiro a junho; Felipe Toteli, comenta o cenário
O preço do leite e seus derivados vem assustando os consumidores brasileiros. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (CPE), o reajuste real do preço do leite acumulado entre janeiro e junho chegou a 20%, com projeção de aumento de 15% apenas em julho. A muçarela, por exemplo, sofreu um reajuste de 17% em junho, sendo vendida a R$ 76 o quilo em Ribeirão Preto.
A realidade dos produtores rurais
Os produtores de leite também sentem o impacto do aumento dos custos de produção. Felipe Totely, médico veterinário e produtor rural, relata que o preço do leite para o produtor aumentou entre 50% e 60% desde o início do ano, mas ainda assim fica muito abaixo do preço final ao consumidor. Ele aponta a seca, incêndios, geadas e o clima seco do ano passado como fatores que afetaram as lavouras e impactaram a produção de alimentos para as vacas. O custo do manejo aumentou significativamente, com o preço da silagem, por exemplo, saltando de R$ 1.700 para R$ 6.000 por tonelada em alguns casos.
Desafios e consequências
A principal dificuldade dos produtores é o aumento do custo dos insumos, como ração e silagem. Muitos pequenos produtores estão abandonando a atividade devido à baixa rentabilidade, o que pode levar a uma redução na oferta de leite no mercado e impactar ainda mais os preços. A complexa cadeia de distribuição, que envolve diversos intermediários entre o produtor e o consumidor, também contribui para a diferença entre o preço pago ao produtor e o preço final ao consumidor.
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A previsão para os próximos meses é de aumento nos preços, considerando a estiagem e a redução no número de produtores. A recuperação da produção levará anos, uma vez que a reposição do rebanho exige tempo. A busca por um equilíbrio entre os preços para produtores e consumidores é fundamental para garantir a sustentabilidade do setor.



