Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (7)
Neste sábado, o programa Xebeni discutiu a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), recebendo especialistas para abordar o tema. Entre os convidados estavam Maria Carolina Martoni, coordenadora da Fundação Panda; Giselle Provencio, psicóloga e analista de comportamento; Bruna Nobre, pedagoga e analista de comportamento; e Carol Felício, fundadora do Instituto Jujuba e organizadora do Té Abraço.
Desafios na Inclusão Escolar
Um dos pontos principais da discussão foi o papel das escolas na inclusão de alunos autistas. Embora a inclusão seja obrigatória, a realidade ainda é desafiadora. Relatos apontam práticas inadequadas, como a identificação de alunos autistas na lista de chamada escolar, o que demonstra falta de sensibilidade e preparo. A falta de estrutura e preparo nas escolas, tanto públicas quanto privadas, contribui para o aumento dos índices de suicídio e depressão entre adolescentes e jovens adultos autistas, além de intensificar casos de bullying.
A Necessidade de uma Inclusão Real
A inclusão não se limita à mera aceitação do aluno autista na escola. É fundamental que as escolas desenvolvam planos de ensino especializados, considerando as características individuais de cada criança. Incluir significa adaptar o currículo e as estratégias de ensino para que cada aluno possa se beneficiar do ambiente escolar. O aumento da inserção de crianças com necessidades educacionais especiais de 30% para 70% entre 2013 e 2014 demonstra um avanço, mas a inclusão de fato ainda precisa ser aprimorada, com foco na adaptação curricular e em estratégias de ensino diferenciadas.
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O Papel da Família e a Busca por Apoio
A discussão também abordou a importância da capacitação dos pais e a necessidade de uma rede de suporte pública. Muitos pais buscam ajuda em clínicas particulares, mas nem sempre têm recursos financeiros para isso. A capacitação dos pais é fundamental, pois eles se tornam agentes ativos no processo terapêutico, complementando o trabalho dos profissionais. Recursos disponíveis na internet, como vídeos e materiais em PDF, podem auxiliar os pais nesse processo. A intervenção precoce e a detecção precoce são cruciais para minimizar as dificuldades futuras. Apesar dos avanços, a pesquisa sobre autismo no Brasil ainda precisa ser ampliada, e a burocracia dificulta o acesso a recursos e informações.
O programa finalizou com a divulgação de um evento sobre intervenção precoce, que abordará a transição para a vida adulta e as oportunidades de trabalho para pessoas com autismo. A iniciativa reforça a importância da conscientização e da busca por soluções para garantir uma melhor qualidade de vida para as pessoas com TEA.



