Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (1°)
Neste sábado, o Almanac CBN discutiu a conscientização sobre o autismo, evento que ocorreu durante toda a semana em Ribeirão Preto e se estendeu até o domingo, com atividades como o “Te Abraço” no Shopping Iguatemi. Participando do programa, estavam o biomédico Diogo Lovato e a psicóloga Jessica Stadler, especialista em análise do comportamento aplicada.
Desafios da Inclusão Escolar
Um dos principais desafios apontados foi a inclusão escolar. Jessica destacou a diversidade de ritmos e interesses de aprendizagem entre as crianças, enfatizando a necessidade de um modelo de ensino que considere essas diferenças. Embora um ensino individualizado seja utópico, a psicóloga defendeu a criação de grupos de estudos com foco em diferentes interesses e habilidades dentro da mesma sala de aula. Diogo complementou sobre a importância da Lei Berenice Piana (2012), que garante o direito à educação de qualidade para crianças autistas, incluindo a possibilidade de mediadores escolares ou acompanhantes terapêuticos.
O Papel do Acompanhante Terapêutico (AT)
Jessica explicou detalhadamente a função do acompanhante terapêutico (AT) na inclusão escolar. O AT não apenas auxilia na adaptação do material acadêmico, mas também media relações sociais, fornece reforçadores e motivação, e trabalha com pistas visuais para ajudar crianças com dificuldades de comunicação. O objetivo do AT é dar autonomia à criança, e não criar dependência. A profissional destacou a importância da integração entre o AT e outros profissionais, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos, para um trabalho mais eficaz.
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Conscientização e Inclusão Social
A conversa abordou a importância da conscientização social para a inclusão. A qualidade do tratamento dado às pessoas com autismo reflete a qualidade da sociedade como um todo. A inclusão não é um privilégio, mas uma necessidade; manter pessoas autistas em casa representa uma grande perda, pois elas têm muito a contribuir com a sociedade, oferecendo perspectivas e soluções diferentes para os problemas cotidianos. As famílias precisam de apoio e encorajamento para se exporem e buscarem o espaço público, e a sociedade precisa se tornar mais receptiva e compreensiva. A inclusão requer estímulos constantes, o ensino de habilidades básicas de comunicação e a criação de ambientes mais inclusivos.
A complexidade do autismo, com suas diversas manifestações e comorbidades, foi também discutida. A genética pode ser uma ferramenta complementar às terapias, mas não uma cura. A integração entre diferentes profissionais, incluindo médicos para a prescrição de medicamentos quando necessário, é fundamental. O programa finalizou com um apelo à conscientização e à busca por soluções criativas e personalizadas para a inclusão de pessoas autistas na sociedade, reconhecendo o valor da diversidade e a necessidade de um esforço conjunto para garantir uma vida plena e significativa para todos.



