Ouça a análise do José Carlos de Lima Júnior no ‘CBN Agronegócio’ sobre a corrida contra o tempo para ter os insumos
O conflito entre Rússia e Ucrânia acendeu um alerta para o agronegócio brasileiro, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de fertilizantes para a safra 2022/2023. A dependência do Brasil de importações, principalmente de potássio da Rússia e Canadá, coloca o país em uma corrida contra o tempo para garantir os insumos necessários para o plantio, que começa em setembro/outubro.
Importação de Fertilizantes: Uma Questão Geopolítica
A Rússia é um parceiro comercial crucial para o Brasil, fornecendo uma parcela significativa dos macronutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) essenciais para a agricultura. A dependência brasileira de potássio russo (50% do consumo nacional) e a concorrência com os EUA pelo potássio canadense criam um cenário de vulnerabilidade. Mesmo com o fim do conflito, as sanções econômicas à Rússia podem prolongar os problemas de fornecimento, impactando a produção e os preços dos alimentos em 2023.
A Busca por Alternativas e a Produção Nacional
Autoridades e representantes do agronegócio buscam alternativas para garantir o abastecimento de fertilizantes, explorando parcerias com outros países. Embora o Brasil possua capacidade para produzir nitrogênio, a produção de fósforo e potássio necessita de investimentos em exploração de jazidas nacionais. A expansão da área plantada em 18 milhões de hectares entre 2010 e 2020 demonstra a crescente demanda por insumos, tornando crucial a ampliação da produção interna para minimizar a dependência de importações e oscilações do mercado internacional.
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Os Impactos nos Derivados de Petróleo e o Abastecimento
A situação se complica ainda mais com a discussão sobre o repasse de aumentos internacionais dos derivados de petróleo pela Petrobras. A dependência brasileira de importação de 35% dos derivados (gasolina e diesel) gera riscos de desabastecimento caso os preços internos não reflitam os custos de importação das empresas privadas. A falta de atualização de preços pode desestimular a importação, levando à escassez de combustíveis essenciais para o transporte e as atividades agrícolas.