Apesar da alta de R$ 28 bilhões, economista afirma que reação concreta do mercado só acontecerá em 2017
Em um cenário econômico desafiador, a balança comercial brasileira apresenta um superávit de R$ 28,2 bilhões de reais de janeiro a julho de 2016. Apesar desse número positivo, especialistas alertam que ele não representa uma melhora real na economia, mas sim um reflexo da crise e da desvalorização do real.
Oportunismo em Meio à Crise
Segundo o economista e professor da USP, Alberto Matias, o superávit é resultado de um “oportunismo do mercado”. A alta do dólar tornou a importação menos viável e a exportação mais lucrativa. “O câmbio brasileiro está chegando a um ponto de equilíbrio. E nesse ponto de equilíbrio a indústria brasileira consegue reativar suas exportações, consegue ter competitividade com o produto importado. E então os produtos importados apresentam também queda nesses valores”, explica Matias.
Impacto Regional e Setores Beneficiados
O mercado regional também aproveitou as condições favoráveis para exportação. O agronegócio e a indústria de calçados de Franca se destacaram. “Nós temos o açúcar, nós temos o etanol, laranja, que o suco laranja sofreu com a sobresalorização da moeta volta fei competitiva. Soja, café, então são inúmeros produtos que se tornam mais atrativos do interior por um preço mais baixo, relativamente”, detalha o economista. Em Franca, a retomada das contratações na indústria calçadista é um sinal positivo, mas insuficiente para impulsionar a economia nacional.
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Previsões Pessimistas e Expectativas para o Futuro
Apesar do superávit, as previsões financeiras para 2016 permanecem pessimistas. O mercado financeiro prevê uma queda de 3,5% do PIB e uma retração da produção industrial em torno de 6%. No entanto, Matias vislumbra uma melhora gradual para 2017: “Para 2017 já está se visualizando uma saída dessas taxas negativas e um pequeno crescimento ao redor de meio a 1% do PIB e da produção industrial também. Então, mais ao final do ano, a gente já deve começar a sentir uma virada desse processo, não de forma vigorosa, mas pelo menos ao fim desse período triste de queda da economia brasileira”. O Ministério da Indústria e Comércio Exterior estima que a balança comercial poderá alcançar um superávit de até R$ 50 bilhões em 2016.
O cenário atual demonstra a complexidade da economia brasileira, onde um indicador positivo coexiste com desafios persistentes e a necessidade de cautela nas projeções futuras.



