Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’ com Danielle Zeoti
O aumento no número de divórcios durante a pandemia levantou questionamentos sobre a natureza dos relacionamentos contemporâneos. A filósofa Daniela Zeote, em entrevista à CBN, debateu esse tema, analisando a influência das ideias de Zygmunt Bauman sobre as relações líquidas e a realidade dos relacionamentos na atualidade.
Relacionamentos Líquidos e a Era Digital
A discussão se baseou na obra de Bauman, que descrevia as relações modernas como fluidas e instáveis, propensas a mudanças imprevisíveis. A psicóloga concordou com a premissa de que os relacionamentos estão mais frágeis, influenciados pela facilidade de conexão e desconexão proporcionada pela internet. A velocidade com que se estabelecem e terminam relações afetivas, muitas vezes através de aplicativos, contribui para essa percepção de efemeridade.
A Busca por Felicidade e o Impacto da Pandemia
A pandemia intensificou essa fragilidade. O isolamento social forçou um maior convívio consigo mesmo, expondo as próprias fragilidades e as dos parceiros. A pressão social pela felicidade, exacerbada pelas redes sociais, criou um ideal irrealista, levando muitas pessoas à frustração e ao divórcio como forma de escapar desse desconforto. A convivência forçada revelou incompatibilidades que antes eram mascaradas pela dinâmica da vida cotidiana.
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Reconstruindo o Amor e a Importância da Resiliência
Apesar do cenário desafiador, a psicóloga defendeu a possibilidade de reconstruir relacionamentos. Ela propôs um conceito de “casamento múltiplo”, no qual o casal se reconquista diariamente, reinventando a relação e buscando novas experiências juntos. A chave está em cultivar a resiliência, em adaptar-se às mudanças e em valorizar os pequenos gestos de carinho e atenção. Manter a chama acesa, investir no cuidado pessoal e na comunicação são fundamentais para a longevidade de um relacionamento, evitando a busca por novos parceiros como solução para problemas existentes.