Não se deve minimizar o impacto negativo do uso do celular enquanto dirige ou o ato de furar o sinal vermelho
Nos últimos dez anos, Banalização de comportamentos errados no trânsito impactam no número de acidentes, o sistema público de saúde registrou 337 mil internações de pedestres vítimas de acidentes de trânsito, segundo dados oficiais. Esse número é superior ao de ciclistas, que somaram 129 mil internações, e ao de ocupantes de automóveis, com 130 mil casos. Apenas motociclistas apresentam maior vulnerabilidade, com mais de 1,1 milhão de internações no mesmo período.
No estado de São Paulo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) aponta que os pedestres são o terceiro grupo mais afetado por acidentes de trânsito, sendo o segundo grupo em áreas urbanas, representando 24,8% dos sinistros em 2023. Entre os pedestres que morreram no primeiro quadrimestre do ano, 120 tinham mais de 60 anos, um aumento de quase 40% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 83 mortes.
Contexto e causas do aumento dos atropelamentos
Em entrevista, a advogada especialista em trânsito, Dra. Mar Padrão, destacou que o comportamento no trânsito é o principal fator que influencia a segurança viária. Segundo ela, a legislação de trânsito tem como base o comportamento dos usuários e visa garantir a segurança social. A especialista ressaltou que a banalização dos comportamentos negativos no trânsito, como distrações e desatenção, contribui para o aumento dos acidentes com vítimas fatais e lesões graves.
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Dra. Mar citou o caso recente de um vereador que sofreu um atropelamento, indicando que a distração no momento da travessia foi um fator determinante. Ela alertou para a importância de os pedestres adotarem práticas seguras ao atravessar vias, evitando colocar a própria vida e a de terceiros em risco.
Distrações e vulnerabilidades dos pedestres: A especialista também comentou sobre o uso de celulares e fones de ouvido, especialmente entre os jovens, como fatores que desviam a atenção no trânsito, aumentando o risco de acidentes. Ela destacou que o uso de dispositivos eletrônicos durante a caminhada ou direção é perigoso e proibido pela legislação quando se trata de motoristas, podendo acarretar responsabilidade criminal em casos de acidentes graves.
Dra. Mar enfatizou que o pedestre não possui uma carteira nacional específica, o que reforça a necessidade de comunicação constante por parte do poder público, por meio de sinalização adequada, campanhas educativas e orientações para todas as faixas etárias. Ela alertou que o comportamento automático e a falta de atenção são problemas comuns entre pedestres e motoristas, contribuindo para o aumento dos acidentes.
Riscos para idosos e recomendações para motoristas
Especialistas apontam que o risco de um idoso não sobreviver a um atropelamento é três vezes maior do que o de pessoas mais jovens. Dra. Mar recomendou que motoristas mantenham atenção redobrada ao se depararem com idosos nas vias, pois eles podem agir de forma inesperada ao atravessar a rua. Ela compartilhou um relato pessoal em que quase atropelou um idoso que se movimentava de maneira imprevisível, ressaltando a importância do controle de velocidade e da atenção constante ao volante.
A advogada reforçou que, mesmo diante de atitudes erradas de pedestres, os motoristas devem manter o controle do veículo para evitar acidentes, pois a colisão entre veículo e pessoa geralmente resulta em consequências graves para o pedestre. O controle de velocidade foi destacado como uma medida eficaz para reduzir a gravidade dos acidentes e permitir manobras de emergência quando necessário.
Políticas públicas e perspectivas: Para enfrentar essa realidade, Dra. Mar mencionou a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de janeiro de 2024, que estabelece diretrizes para que os poderes públicos municipal, estadual e federal atuem de forma integrada na orientação, educação, melhoria do sistema viário e segurança dos veículos. Ela ressaltou que somente com uma política de trânsito efetiva e o despertar da consciência coletiva será possível estabilizar e reduzir os índices de acidentes envolvendo pedestres.
A especialista concluiu destacando que os números atuais refletem o comportamento dos usuários do trânsito e que a educação, comunicação e informação são essenciais para promover uma mudança cultural e garantir a segurança de todos.
Entenda melhor
- De 2014 a 2024, mais de 337 mil pedestres foram internados por acidentes de trânsito no Brasil.
- Em São Paulo, pedestres representam 24,8% dos acidentes urbanos em 2023.
- O número de mortes de pedestres idosos aumentou quase 40% no primeiro quadrimestre de 2024 em relação ao ano anterior.
- Distrações como o uso de celulares e fones de ouvido aumentam o risco de acidentes.
- O controle de velocidade e a atenção dos motoristas são fundamentais para a prevenção de atropelamentos.