Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nélson Rocha Augusto
O Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros (Selic) de 8% para 8, Banco Central aumenta taxa de juros no Copom,5%, um aumento de 0,5 ponto percentual, conforme esperado pelo mercado financeiro. Essa medida integra uma mudança no conjunto da política econômica do país, que inclui maior flexibilidade cambial e uma política fiscal mais austera, com o objetivo principal de combater a inflação.
Contexto da inflação no Brasil: Desde 2011, a inflação brasileira tem se mantido próxima ao teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%, com um limite de tolerância de até 6,5%. Atualmente, a inflação pode atingir cerca de 6%, valor considerado elevado em comparação a outras economias globais, onde a inflação está abaixo de 2%. Esse cenário afeta negativamente a credibilidade econômica do país, desestimula investimentos e prejudica a geração de empregos.
Perspectivas para a política monetária
O economista Nelson Rocha destacou que o governo adotou uma postura mais firme no combate à inflação nos últimos meses. Segundo ele, o Banco Central pode realizar mais uma ou duas elevações na taxa Selic, podendo chegar a 9,5% até o final do ano. Essa estratégia, combinada com políticas fiscais responsáveis e maior flexibilidade cambial, tem potencial para trazer a inflação para o centro da meta, em torno de 4,5%, ao longo do próximo ano, embora reconheça que isso possa implicar sacrifícios para a sociedade.
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Influência da política monetária dos Estados Unidos: Sobre a ata do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, Nelson Rocha explicou que há uma divisão entre seus membros. Metade defende o fim da expansão da liquidez e o início da elevação das taxas de juros ainda em 2013, enquanto a outra metade, incluindo o presidente Ben Bernanke, recomenda cautela e a manutenção de uma política monetária acomodatícia por mais tempo. Essa postura busca compensar o impacto fiscal restritivo esperado para o segundo semestre nos Estados Unidos, decorrente de cortes automáticos nos gastos públicos ao atingir limites orçamentários.
A divulgação dessa ata provocou alta nas bolsas globais e desvalorização do dólar, refletindo a expectativa de que as taxas de juros de longo prazo americanas não subirão rapidamente, o que pode influenciar o cenário econômico mundial e, consequentemente, a economia brasileira.
Dados do varejo e perspectivas para o PIB brasileiro: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados até maio que indicam crescimento de 6,1% nas vendas do varejo acumuladas em 12 meses, sinalizando uma trajetória positiva para a economia brasileira. No entanto, eventos ocorridos em junho apontam para um esfriamento da atividade econômica, que será confirmado com a divulgação dos dados do mês.
Indicadores de curto prazo, como vendas de cimento e tráfego de veículos em estradas pedagiadas, mostram sinais de recuperação gradual. Com o cenário internacional atual, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 é de cerca de 2,5%, abaixo das estimativas iniciais que variavam entre 3% e 3,5%, mas ainda considerada positiva para um ano complexo.
Expectativas econômicas e avaliação de especialistas
Nelson Rocha ressaltou que, apesar das dificuldades enfrentadas, o crescimento de 2,5% do PIB seria um resultado positivo e está alinhado com a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele também comentou que muitos analistas duvidam que o crescimento ultrapasse 2%, mas sua avaliação pessoal é mais otimista.
Entenda melhor
O aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central brasileiro visa controlar a inflação que tem se mantido próxima ao limite superior da meta. A política monetária mais restritiva, combinada com ajustes fiscais e câmbio flexível, busca restaurar a credibilidade econômica e estimular um ambiente favorável ao investimento e emprego.