O impacto da economia americana no mundo e o andamento da Reforma Tributária são os pontos de análise de Nelson Rocha Augusto
Brasília — A ata mais recente do Federal Reserve sinaliza que a inflação nos Estados Unidos caiu, mas menos do que o desejado, mantendo a percepção de que o processo de desinflação ainda está em curso, sem queimar as etapas necessárias para o alcance da meta.
O documento aponta que a economia vem apresentando sinais de desaceleração gradual, com a evolução sendo mais homogênea entre setores e regiões, e o mercado de trabalho permanece próximo do pleno emprego, ainda que sem folga para as empresas recrutarem com facilidade. Além disso, a melhora observada no emprego pode ter sido estimulada pela expansão da migração de trabalhadores; estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas tenham ingressado na força de trabalho americana no último ano.
Praticamente, a ata indica que a probabilidade de o Federal Reserve reduzir a taxa de juros nos próximos meses tende a zero, embora surpresas não possam ser totalmente descartadas diante da dinâmica econômica.
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Observando o cenário político e fiscal, a ata também sugere que, após as eleições de novembro, o governo poderá redesenhar o ajuste fiscal, o que, por sua vez, pode abrir espaço para cortes de juros caso haja melhoria no perfil deficitário.
Para o Brasil, a notícia é vista como positiva: uma eventual redução de juros nos Estados Unidos tende a aliviar o custo de capital global, beneficiando emergentes com mercados de capitais relativamente desenvolvidos. O país é apontado como um dos principais emergentes com economia diversificada e, portanto, com potencial para reagir bem a condições financeiras mais brandas no exterior.
No front doméstico, o governo tem avançado com as leis complementares da reforma tributária, com destaque para a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) com o sistema de split de receitas entre União, estados e municípios. O objetivo é introduzir uma arquitetura de arrecadação mais eficiente por meio de tecnologia de pagamento, com o financiamento das receitas tributárias sendo creditado instantaneamente aos entes competentes, reduzindo sobras e evadindo sonegações.
Especialistas ressaltam que o IVA brasileiro terá um caráter disruptivo, inspirado por inovações tecnológicas similares às adotadas pelo sistema Pix, mas com implicações para a fiscalização de tributos em escala global. O governo trabalha para que a medida entre em vigor já no próximo ano, em um regime de transição que pode acelerar a atividade econômica, ampliando crédito, empregos e consumo.
Em meio ao debate público, o ministro envolvido no tema manteve um tom de transparência, mesmo com a oposição buscando enquadrar o tema em um treino político. A discussão sobre a meta de inflação ficou em torno de ajustes possíveis para reduzir a dependência de altas taxas de juros, reconhecendo que a meta atual é desafiadora para o Brasil, especialmente quando comparada a experiências internacionais de política monetária.
Ao encerrar, o analista reforçou a necessidade de tratar as informações com frieza técnica, sem partidário entusiasmo, lembrando a frase clássica de que a vida é como é — e não como gostaríamos que fosse — e anunciando que novidades sobre o tema devem chegar na próxima edição.