Alta na inflação e moeda desvalorizada acarretaram o aumento; ouça a coluna ‘CBN Economia’ com Nelson Rocha Augusto
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu o mercado ao elevar a taxa Selic em 0,75%, para 2,75% ao ano. A maioria dos analistas esperava um aumento de apenas 0,5%. Essa decisão, justificada pela necessidade de controlar a inflação, indica que o custo de vida no Brasil está aumentando.
Alta da Selic e Inflação
A alta da Selic se deve principalmente à aceleração da inflação, impulsionada pela alta nos preços de alimentos e matérias-primas. O Banco Central busca sinalizar firmeza em seu compromisso com o controle da inflação, e novas altas são esperadas. Uma nova alta de 0,25 pontos percentuais é provável na próxima reunião do Copom, daqui a 40 dias, levando a taxa Selic para 3,1% ao ano. Apesar do aumento, a taxa de juros ainda se encontra abaixo da inflação atual, que gira em torno de 4%.
Cenários Brasil x EUA
Em contraste com a situação brasileira, os Estados Unidos mantiveram sua taxa de juros inalterada. O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, justificou a decisão com base na natureza transitória da inflação americana e na necessidade de estimular a recuperação econômica. O pacote de estímulos econômicos de US$ 1,9 trilhão aprovado pelo governo Biden contribui para essa postura. A inflação americana de curto prazo está em 2,4% ao ano, considerada um nível não preocupante pelo Fed. A expectativa é que a taxa de juros americana permaneça baixa até o final de 2022.
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Implicações e Considerações Finais
A taxa de juros baixa nos EUA, apesar da alta no Brasil, influencia a economia global. No Brasil, uma taxa de juros baixa, mesmo com a recente alta, contribui para reduzir os custos das empresas, incentivando investimentos e contratações. Entretanto, a recuperação econômica brasileira depende fortemente do controle da pandemia de COVID-19. O sucesso no combate à pandemia, através da vacinação em massa e do respeito às medidas sanitárias, é crucial para um crescimento econômico sustentável. A falta de coordenação e o negacionismo em relação à pandemia prejudicam fortemente a economia e a saúde pública.