Tentativa de golpe cresce, em média, 20% por ano, segundo a Federação Brasileira de Bancos
A criatividade a serviço do crime tem se manifestado de uma forma particularmente insidiosa: a falsificação de boletos bancários. Com a aparência de uma cobrança legítima, esses documentos fraudulentos chegam aos consumidores pela internet ou pelos correios, causando prejuízos financeiros e muita dor de cabeça.
O Caso da Corretora de Imóveis
Isabel Cristina Costa, corretora de imóveis em Ribeirão Preto, relata que boletos falsos de imobiliárias foram enviados clandestinamente aos inquilinos, resultando em cobranças duplicadas e grande confusão. “A nossa preocupação é muito grande porque os locadores estão no prejuízo, a imobiliária está no prejuízo e, pior, os inquilinos também, que ao pagar errado, vão ter que pagar duas vezes o débito”, lamenta Isabel. Ela busca soluções junto às instituições financeiras para mitigar os danos causados por essa fraude.
Como Identificar um Boleto Falso
Os criminosos adulteram o código de barras dos boletos, modificando informações cruciais como banco, agência e conta para onde o dinheiro é destinado. Para se proteger, é fundamental verificar atentamente os dados do boleto. Compare os números do banco e a correspondência entre a numeração do código de barras e a parte superior da fatura. Verifique o CNPJ do emissor, a data de vencimento e se o valor cobrado corresponde ao esperado.
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O Que Fazer em Caso de Suspeita
O delegado seccional de Sertãozinho, Claudio José Otobone, orienta os consumidores a desconfiarem de boletos bancários com aparência duvidosa. “Em primeiro lugar, a pessoa, não reconhecendo que a dívida é dela ou tendo dúvida, deve pesquisar sobre a empresa que está cobrando, procurar a polícia, a junta comercial e, se houver um número de telefone no documento, não ligar, pois pode ser parte do golpe”, alerta o delegado. Caso o pagamento já tenha sido efetuado, configura-se estelionato consumado; caso contrário, tentativa de estelionato.
Em casos de cobranças indevidas por boletos falsificados, os bancos podem ser responsabilizados pelos prejuízos causados aos consumidores, como afirma o advogado Fernando Correia Silva, especialista em direito empresarial. A Febraban e órgãos de defesa do consumidor reconhecem o crescimento do golpe do boleto bancário no Brasil.



