Adriana Silva comenta sobre o pintor e escultor italino erradicado em Altinópolis; ouça o ‘Cidades e Suas Histórias’
Bassano Vaccarini, imigrante italiano e escultor de destaque, volta aos holofotes locais com a notícia da restauração de parte de suas obras em Ribeirão Preto. Figuras centrais na paisagem urbana e em espaços públicos da região, suas peças lembram o papel do artista na consolidação de uma identidade cultural que atravessa décadas.
Chegada e trabalho em Ribeirão Preto
Vaccarini desembarcou na região após passar pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, onde teve atuação importante como cenógrafo no teatro. Em 1956, atendendo a um convite, veio a Ribeirão Preto para colaborar na celebração do centenário da cidade. A festa, realizada nos antigos barracões do café na rota para Sertãozinho, contou com uma cenografia assinada por ele — trabalho que, apesar de registrado em filme, correu risco de perda total por danos ao rolo que documentava o evento.
Obras, restaurações e memória
Ao longo das décadas, Vaccarini deixou marcas em vários pontos da cidade e da região: esculturas em parques, intervenções no Morro de São Bento, peças no Mercadão e trabalhos em cidades vizinhas como Altinópolis e Batatais — onde o teatro local abriga uma de suas obras. Algumas dessas peças já passaram por reparos, como a restauração do conjunto no Morro de São Bento em 2010; outras, como parte do acervo do parque, entram atrásra em processo de recuperação.
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Legado e presença cultural
O reconhecimento ao artista se estende além das esculturas: há um edifício em Ribeirão Preto que leva seu nome em homenagem, e as esculturas a céu aberto em Altinópolis chegaram a receber atenção internacional. Arquivos e imagens — inclusive registros de Vaccarini trabalhando — circulam em acervos locais e emissoras, mantendo viva a memória de sua atuação. Amigos e estudiosos destacam também sua visão avançada sobre cultura e economia criativa, antecipando debates que só ganhariam força décadas depois.
A decisão de restaurar obras de Vaccarini reacende a discussão sobre preservação do patrimônio artístico regional e reafirma a presença do legado do escultor no cotidiano das cidades onde atuou.