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‘Bebê Rena’, série do momento, é baseada em experiência real vivida pelo roteirista Richard Gadd

Com trama bem amarrada, série retrata abusos sexuais e outros temas; ouça a resenha de André de Castro na coluna 'Cinema'
Bebê Rena
Com trama bem amarrada, série retrata abusos sexuais e outros temas; ouça a resenha de André de Castro na coluna 'Cinema'

Com trama bem amarrada, série retrata abusos sexuais e outros temas; ouça a resenha de André de Castro na coluna ‘Cinema’

Desde a estreia, a minissérie Beberena, disponível na Netflix, provocou discussões acaloradas entre espectadores e críticos. No centro da história está Marta, personagem cuja presença constante transforma a vida do protagonista — um garçom aspirante a comediante — em um pesadelo de perseguição. O tema foi debatido em um programa de rádio da CBN, onde críticos e o próprio elenco analisaram a obra e suas repercussões.

O cotidiano da perseguição

No roteiro, Marta surge repetidamente na rotina do protagonista: espera por ele no trabalho, aparece à noite e volta a ponto de se tornar uma figura onipresente. A escalada da perseguição parte de um gesto aparentemente inocente de cavalheirismo, que converte a obsessão em violência psicológica e física. A trama remete, em alguns momentos, a clássicos do suspense sobre fãs obsessivos, como Misery, de Stephen King, mas avança por caminhos próprios.

Além do susto: traumas e camadas psicológicas

Críticos que comentaram a minissérie destacaram que, embora a perseguição seja o motor do enredo, o roteiro se aprofunda em traumas de infância e experiências pessoais do protagonista. Segundo as análises do programa, a série exige do espectador uma experiência exaustiva: por sua violência explícita e pela intensidade psicológica, ela provoca desconforto e reflexão, colocando em pauta temas como abuso sexual — inclusive quando a vítima é um homem — e os efeitos duradouros de traumas não resolvidos.

Reações do público e debate sobre privacidade

O sucesso da minissérie gerou também uma onda de investigação entre fãs, que tentam identificar pessoas reais que teriam inspirado as personagens. O ator Richard Garve, que interpreta uma versão de si mesmo com outro nome, chegou a pedir que o público se dedique à leitura da obra e às interpretações artísticas, em vez de vasculhar a vida privada de terceiros. A atriz que interpreta Marta reforçou esse apelo, pedindo que os espectadores deixem de buscar nomes reais e observem a série como produto ficcional e tópico de debate.

O fenômeno Beberena, com seus sete episódios, consolidou-se rapidamente entre as produções de maior repercussão da plataforma. A série tem sido elogiada pelo roteiro bem amarrado e pela capacidade de surpreender o público ao oferecer mais do que uma simples narrativa de perseguição.

Ao mesmo tempo, o esforço de fãs-detetive suscita uma reflexão sobre os limites entre curiosidade e invasão: quem leva a própria vida às telas sabe que o sucesso pode atrair olhares invasivos, e a controvérsia reacende o debate sobre responsabilidade do público diante de obras baseadas, ainda que parcialmente, em eventos ou pessoas reais.

No balanço final, Beberena impõe-se como uma obra que provoca tanto pelo espetáculo quanto pelos dilemas que coloca: violência, trauma e a tênue linha entre homenagem e exploração pública permanecem no centro das conversas provocadas pela série.

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