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Bebedouro, mesmo sendo quase dez vezes menor, tem mais mortes por dengue do que Ribeirão

São três óbitos, cinco casos graves e mais de 1,4 mil casos da doença somente neste começo de ano
Bebedouro
São três óbitos, cinco casos graves e mais de 1,4 mil casos da doença somente neste começo de ano

São três óbitos, cinco casos graves e mais de 1,4 mil casos da doença somente neste começo de ano

Bebedouro, município de 76.373 habitantes, registra índices de dengue que preocupam autoridades e especialistas. Apesar de ser muito menor que Ribeirão Preto em população, a cidade contabiliza uma morte a mais por dengue em 2024 e superou a marca de mil casos confirmados, segundo a prefeitura.

Números e medidas adotadas

Até o momento, Bebedouro tem 1.429 casos confirmados de dengue e três óbitos. Em comparação, Ribeirão Preto, com 698.259 habitantes, registrou 4.800 casos e duas mortes até 5 de março. Diante do aumento de casos, Bebedouro declarou estado de emergência para a epidemia de dengue, chikungunya e zika no dia 6 de março, uma medida anunciada depois de uma determinação similar do governo do Estado de São Paulo.

A prefeitura criou em janeiro uma unidade exclusiva para atendimento de pacientes com suspeita de dengue no Hospital Municipal Júlia Pinto Caldeira, com entrada pela vigilância epidemiológica. A administração também promove mutirões de limpeza em áreas públicas na tentativa de reduzir os criadouros do mosquito Aedes aegypti.

A avaliação do infectologista

O médico infectologista Lucas Agra analisou os números e alertou para o risco de ampliação da epidemia. Segundo ele, a taxa de comprometimento social no combate ao mosquito é insuficiente e pode comprometer as próximas gerações. “Às vezes olhamos para um número que parece pequeno, mas, representativamente, é significativo e cria um alerta para a sociedade”, disse.

Agra ressaltou que a dengue ainda está em fase de progressão e que é provável o aumento de casos nos próximos meses. Ele explicou que a circulação sequencial de sorotipos aumenta a chance de formas mais graves da doença — quadro observado na atual epidemia — e que muitos pacientes têm apresentado manifestações atípicas.

Diagnóstico, outras doenças e orientações

O infectologista afirmou ser difícil diferenciar dengue, chikungunya e zika apenas pelos sintomas. Zika, segundo ele, não tem circulado de forma significativa na região, de modo que a maioria dos casos é dengue ou chikungunya. A chikungunya costuma provocar dor articular intensa, com edema e maior sensação de coceira, característica que ajuda a distingui‑la da dengue.

Além disso, há circulação de outros vírus respiratórios, como SARS‑CoV‑2 e influenza, o que tem sobrecarregado unidades de urgência e emergência. Agra destacou que os pontos de assistência estão melhor equipados para diagnosticar dengue com testes rápidos, o que facilita diferenciar os quadros.

Como medidas preventivas, o especialista reforça a importância de eliminar água parada em quintais, terrenos e locais de trabalho. “A maior parte da responsabilidade, além do poder público, é individual: cada um deve manter seu espaço limpo e fiscalizar onde houver risco de criadouros”, afirmou. Ele lembrou também que há quatro sorotipos da dengue e que é possível contrair a doença mais de uma vez, com risco aumentado de gravidade em infecções subsequentes.

As autoridades municipais trabalham na fiscalização e em ações de limpeza, mas pedem colaboração permanente da população para tentar reverter o quadro epidêmico. O apelo central é simples: manter os ambientes livres de água parada e procurar atendimento ao primeiros sinais de agravamento.

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