Tendência ao assumir esses brinquedos como crianças reais tem preocupado psicólogos ao redor do mundo; ouça o CBN Comportamento
Bebês reborn, bonecos hiperrealistas que se assemelham a recém-nascidos, ‘Bebês reborn’ e o limiar entre, têm ganhado espaço na rotina de algumas pessoas e aparecido em consultórios terapêuticos. Feitos à mão com detalhes como veias, marcas de pele e pesos semelhantes aos de bebês reais, esses bonecos são produzidos por artesãs, geralmente mulheres, que podem levar de seis a nove meses para confeccionar cada peça.
Além de colecionadores, algumas pessoas utilizam os bebês reborn como objetos de transição para exercer vinculação afetiva, especialmente em casos de perdas, traumas ou dificuldades emocionais. Segundo a psicóloga Daniela Izeote, esse uso pode ser benéfico quando acompanhado por tratamento psicológico adequado, principalmente para pessoas com transtornos mentais como depressão ou ansiedade, que se intensificaram após a pandemia.
Artesanato e mercado: O universo dos bebês reborn é antigo, com artesãs atuando há cerca de 20 anos e sustentando famílias por meio da produção desses bonecos. No Brasil, são vendidos aproximadamente 150 a 200 bebês reborn a cada duas semanas, número que aumentou com a atenção da mídia.
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Aspectos psicológicos e cuidados necessários
O uso dos bebês reborn pode ser uma forma de lidar com questões psíquicas, mas é importante distinguir entre uso saudável e transtornos mentais graves. Em casos extremos, algumas pessoas podem apresentar delírios psicóticos, acreditando que o boneco é um bebê real, o que caracteriza uma condição clínica que necessita de tratamento especializado, incluindo medicação e psicoterapia.
Delírio compartilhado e impacto social: Um transtorno mental raro, conhecido como delírio compartilhado ou “folie à deux”, pode ocorrer quando o delírio de uma pessoa é adotado por outras, criando uma realidade paralela. Daniela Izeote destaca que, apesar da gravidade, a psicose é uma tentativa do ego de sobreviver diante de sofrimento intenso, e essas pessoas precisam de empatia, respeito e acompanhamento profissional adequado.
Informações adicionais
A psicóloga ressalta a importância de tratar o adoecimento mental com a mesma seriedade e respeito que se dedica a doenças clínicas, evitando piadas ou julgamentos que possam afastar as pessoas do tratamento. O uso dos bebês reborn deve ser compreendido dentro de um contexto amplo, que inclui arte, colecionismo e, em alguns casos, suporte emocional e terapêutico.