Confira esses e outros vícios de linguagem com a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’
O programa Papo Certo, da CBN, recebeu a jornalista Lígia Boareto para discutir o uso do pleonasmo na língua portuguesa. A especialista explicou que o pleonasmo é uma figura de linguagem que consiste na repetição de um termo ou ideia para enfatizar uma mensagem. Porém, nem sempre seu uso é adequado.
Pleonasmo vicioso: quando a repetição é um erro
Lígia Boareto esclareceu a diferença entre pleonasmo e pleonasmo vicioso. O pleonasmo vicioso ocorre quando a repetição é desnecessária e incorreta, como em expressões como “subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”. Nesses casos, a repetição não adiciona significado e configura um erro gramatical que deve ser evitado.
Pleonasmo como recurso estilístico
No entanto, o pleonasmo também pode ser usado como recurso estilístico, principalmente em contextos literários ou poéticos. A música “C.b.n. Papo Certo”, de Chico Buarque, foi analisada como exemplo, mostrando como o pleonasmo, em alguns versos, é empregado para criar efeito estético e não representa um erro. A jornalista exemplificou com trechos como “me sorri um sorriso” e “me beija com a boca”, onde a repetição da ideia reforça a ação e a emoção.
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Exemplos comuns e como evitá-los
Lígia Boareto listou outros exemplos de pleonasmos comuns, como “novo lançamento”, “conclusão final”, “detalhes tão pequenos”, “certeza absoluta”, “outra alternativa”, “países do mundo” e “cortesia grátis”. A especialista enfatizou a importância de evitar esses pleonasmos viciosos para demonstrar domínio da língua portuguesa e clareza na comunicação, tanto na escrita quanto na fala. A escolha adequada entre o uso estilístico e a sua omissão depende muito do contexto e da intenção comunicativa.