Após crise financeira em 2015, hospital voltou a sofrer com falta de verba e está com alguns setores momentaneamente paralisados
A paralisação dos médicos do ambulatório do Hospital Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto, iniciada há três dias, já causa diversos transtornos para pacientes. A porta de acesso para consultas de retorno está fechada, com atendimentos apenas em casos de emergência.
Prejuízos para pacientes
Pacientes de Ribeirão Preto e região relatam dificuldades em reagendar consultas e procedimentos. Raul Capache Paulino, auxiliar administrativo, precisa de um retorno para marcar uma cirurgia, mas enfrenta dificuldades para obter uma nova data. Luiz Claudio Júnior, motorista desempregado, tem consulta marcada para sexta-feira e teme o prolongamento da greve, gerando custos adicionais com transporte e telefone. Outro paciente relata a necessidade de um medicamento de alto custo, cuja receita depende da consulta de retorno, impossibilitando a continuidade do tratamento caso a paralisação se prolongue.
Salários atrasados e repasses
A paralisação é motivada pelo atraso no pagamento dos salários dos médicos. O hospital alega que a prefeitura não fez o repasse dos valores, enquanto a administração municipal afirma ter repassado cerca de R$ 594 mil no final da tarde de ontem. A diretoria do hospital foi procurada para confirmar o recebimento do repasse, prometendo um posicionamento ainda hoje.
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Intervenção no Santa Lícia
Enquanto isso, a justiça prorrogou a intervenção no Hospital Santa Lícia, que passou por grave crise financeira no ano passado, com dívidas superiores a R$ 23 milhões. A intervenção, que completa dois anos em novembro, foi mantida até a análise final do relatório de gestão, reconhecendo o trabalho eficiente da interventora Darlene Mestrener.
A situação dos pacientes afetados pela greve no Hospital Beneficência Portuguesa permanece incerta, aguardando-se a resolução do impasse entre o hospital e a prefeitura sobre o pagamento dos salários dos médicos. A falta de previsão para o retorno das atividades gera insegurança e prejuízos consideráveis para aqueles que dependem do atendimento médico.



