Psicólogo aponta que jogos de azar no Brasil se tornaram uma epidemia; gasto total com as apostas é de R$ 160 bilhões neste ano
Psicólogos consideram os jogos de azar uma epidemia que afeta principalmente pessoas de baixa renda no Brasil. A prática, ‘Bets’ causam prejuízos financeiros e também afetam saúde mental das pessoas de baixa renda, que ainda não é regulamentada no país, tem causado prejuízos significativos aos apostadores, segundo especialistas.
Para realizar apostas, é necessário depositar dinheiro, e o Banco Central revelou que, entre janeiro e atrássto de 2023, mais de 24 milhões de brasileiros utilizaram o Pix para esse fim, movimentando um total de 160 bilhões de reais nesse período. Somente em atrássto, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família participaram das apostas, gastando cerca de 3 bilhões de reais.
Impacto nas famílias de baixa renda
Entre os apostadores, estão principalmente chefes de família, como Jadson Vieira de Oliveira, ajudante geral que mora na comunidade da Locomotiva, em Ribeirão Preto. Jadson relatou sua experiência recente com jogos de azar pela internet:
“O máximo que eu já coloquei foi 300 reais na plataforma. Só perdi, não tive nenhum retorno. Desequilibra a vida financeira da pessoa. As propagandas estão por toda parte na internet, é só isso que aparece.”
Outra ex-jogadora, Ana Cláudia, descreveu a dificuldade de abandonar o vício:
“Só de ouvir alguém jogando ou o barulho do joguinho, eu já sentia vontade de jogar. Cheguei a chorar para poder jogar. Cada vez que jogava, queria jogar mais, mesmo perdendo. Senti na pele o que é um vício, independente do tipo.”
O vício e a necessidade de acolhimento: O psicólogo Felipe Gomes classifica as apostas online como uma epidemia no Brasil e destaca a necessidade de acolhimento para os apostadores compulsivos:
“Estamos vendo cada vez mais pessoas com esse problema em nossos consultórios. É um vício patológico em jogos, um vício comportamental. A pessoa sabe dos prejuízos, mas não consegue evitar. Além disso, há o poder da influência de propagandas e influenciadores que usam gatilhos para capturar as pessoas, agravando o problema até que se torne patológico.”
Felipe alerta que, em casos graves, o vício pode levar até à perda da própria vida.
Regulamentação e medidas governamentais: A regulamentação das apostas está em tramitação em Brasília, com as primeiras regras previstas para entrar em vigor no ano que vem. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Rádio CBN que cerca de 600 sites de apostas esportivas devem ser retirados do ar nos próximos dias, com a implementação das novas regras, que começam a valer a partir de 1º de outubro de 2023.
“É importante que as pessoas fiquem atentas ao dinheiro que tiverem nesses sites, pois, ao saírem do ar, não será possível resgatar os valores, o que pode resultar em perdas.”
O ministro também destacou a proibição do uso de cartão de crédito e do cartão Bolsa Família para apostas, além da necessidade de controlar a publicidade excessiva em torno das apostas esportivas.
Atualmente, a publicidade de apostas é onipresente, aparecendo constantemente em celulares e outras plataformas digitais, o que reforça a urgência da regulamentação e da fiscalização rigorosa do setor.
Informações adicionais
O mercado de apostas movimenta valores bilionários, o que só foi amplamente divulgado após a discussão da lei na Câmara dos Deputados. A regulamentação visa oferecer maior controle e proteção aos consumidores, especialmente aos mais vulneráveis, e evitar que o problema se agrave.
Jadson, que conseguiu se livrar das apostas, deixa um alerta para quem ainda participa desses jogos:
“Para, não faz isso. Isso não é futuro para ninguém, só traz perda e desavença na família. Não é bom para ninguém. Para enquanto é tempo, porque não traz lucro para ninguém, só tira dinheiro, principalmente de quem é pobre.”



