Mandatário ofereceu quitação das dívidas do BFC para ter o uso, por exemplo, das cativas do Santa Cruz por um ano
O sigilo de uma proposta de conciliação entre a Trex, empresa do empresário Adalberto Batista, e o Botafogo (BFC) foi derrubado após a negociação não evoluir, segundo documentos do processo. A tentativa de acordo vinha sendo debatida nos autos e revelou termos que poderiam alterar receitas e a ocupação de espaços do clube.
Pontos principais da proposta
Segundo a proposta tornada pública, a Trex se dispunha a assumir o pagamento integral de todas as dívidas do BFC — trabalhistas, cíveis e outras — desde que o clube apresentasse um levantamento documental detalhado dos valores a serem quitados. Em contrapartida, o BFC cederia à Trex as receitas de cadeiras cativas e camarotes do estádio Santa Cruz por prazo de um ano ou proporcional ao montante da dívida apurada.
Além disso, a Trex (e a controladora Botafogo S.A., que passou a operar como SAF) ficaria com as áreas remanescentes do estádio. A transformação em SAF havia sido feita para acessar uma tributação mais vantajosa, conforme os documentos do caso.
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Propostas sobre campos e estrutura administrativa
Nos bastidores da negociação surgiu também a proposta de reorganização das instalações: o campo de apoio do estádio possui dois campos oficiais — um usado pelo time profissional e outro, mais abaixo, ocupado atualmente pela escolinha do clube. A ideia era manter os dois campos para o profissional e realocar a escolinha para um novo terreno que seria providenciado pela Trex, o que preservaria a renda gerada pela base do clube.
Complementarmente, a Trex se comprometeria a adquirir ou ceder um espaço que serviria como sede administrativa do BFC, atualmente sem uma estrutura própria definida, integrando essa oferta ao escopo do acordo.
Trâmite judicial e próximos passos
De acordo com o juiz do caso, Alex Ricardo Santos Tavares, foi concedido prazo de 90 dias para que o BFC se manifestasse sobre a proposta e a submetesse à apreciação do Conselho Deliberativo. Como esse prazo expirou sem resposta, o segredo de justiça foi levantado e houve homologação do pedido de desistência da conciliação — com previsão, porém, de uma nova janela de 15 dias para eventual manifestação do clube.
O presidente do BFC, Eduardo Esteves, informou que o prazo de 15 dias está correndo e que o clube deve se manifestar oficialmente em até 10 dias, podendo inclusive convocar coletivas de imprensa para comentar o processo. Até o momento, a união negociada não se concretizou.
Fica a expectativa pela decisão do BFC nos próximos dias, que deverá apontar se as partes retomam as conversas ou seguem caminhos alternativos.


