Entre as ações, Maria Inácia Freitas destaca: o desassoreamento das áreas e a retirada das espécies invasoras
A região de Colômbia enfrenta uma grave crise hídrica, Bióloga reforça a importância de se recuperar os mananciais da região para se evitar uma crise hídrica, com níveis dos rios e reservatórios significativamente reduzidos, segundo a bióloga Maria Inácia Freitas. Ela detalhou que o Rio Grande e o reservatório Beberelépsa do Marimbondo apresentam baixos volumes de água, agravados por reformas nas barragens locais, como a de Porto Colômbia, que resultaram na diminuição do abastecimento hídrico na área.
Maria Inácia destacou que o Rio Pardo e seus tributários estão praticamente secos, com uma redução de cerca de 70% no volume de água em comparação a anos anteriores para o mesmo período. Essa situação afeta diretamente a disponibilidade de água para abastecimento público e para os ecossistemas locais.
Impactos da degradação ambiental: A bióloga explicou que a crise hídrica está relacionada a problemas ambientais históricos e atuais, como o desmatamento de áreas de preservação permanente ocorrido nas décadas de 1970 para conter a febre amarela. Essa intervenção resultou na perda da vegetação nativa das várzeas e áreas de nascentes, comprometendo a capacidade natural de retenção e filtragem da água.
Leia também
Além disso, a expansão industrial e a ocupação desordenada do solo contribuíram para o agravamento da situação. A região possui microbacias hidrográficas que formam os córregos e afluentes do Rio Pardo, mas a construção de barramentos e o uso inadequado do solo por propriedades rurais têm causado o assoreamento e a redução da vazão dos rios.
Espécies invasoras e seus efeitos
Outro fator que agrava a crise hídrica é a proliferação de espécies vegetais invasoras, como o capim colonião, o napier e a taboa. Embora a taboa seja uma planta nativa, ela é considerada agressiva e consome grandes volumes de água, funcionando como uma espécie que retém a água do reservatório, dificultando o acesso e a reposição dos mananciais.
Maria Inácia ressaltou que a retirada dessas espécies invasoras e o plantio de espécies nativas são essenciais para a recuperação dos mananciais, evitando o assoreamento e o carreamento de solo, que ocorrem especialmente durante chuvas intensas e rápidas.
Desafios no combate aos incêndios: A bióloga também relacionou a situação hídrica à dificuldade no combate aos incêndios florestais na região. A presença de vegetação invasora e a baixa disponibilidade de água nos reservatórios dificultam o acesso dos caminhões-pipa aos locais afetados, aumentando o tempo de resposta e a propagação do fogo.
Além disso, a introdução da leucena, uma espécie arbórea invasora, tem agravado o problema. A leucena possui uma resina altamente inflamável, que facilita a propagação do fogo, e afeta negativamente a fauna local, como pássaros que se intoxicam ao entrar em contato com a planta. Essa espécie impede o crescimento de vegetação nativa, prejudicando ainda mais a recuperação dos ecossistemas.
Necessidade de gestão pública eficiente
Maria Inácia enfatizou a necessidade de uma gestão pública eficaz e voltada para a recuperação dos mananciais, tanto para abastecimento público quanto para a preservação dos afluentes dos rios. Ela criticou a falta de ações efetivas por parte das secretarias estaduais e ressaltou que a crise hídrica e ambiental é um problema de interesse nacional que exige atenção imediata.
O manejo adequado das microbacias hidrográficas, a retirada das espécies invasoras, o reflorestamento com espécies nativas e a proteção das áreas de preservação permanente são medidas essenciais para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos na região.
Entenda melhor
A crise hídrica na região de Colômbia é resultado de um conjunto de fatores históricos e atuais, incluindo desmatamento, ocupação irregular do solo, proliferação de espécies invasoras e falta de políticas públicas eficazes. A recuperação dos mananciais depende de ações integradas que envolvam reflorestamento, controle de espécies invasoras e gestão ambiental adequada para garantir a disponibilidade de água para as populações locais e a preservação dos ecossistemas.



