Coordenador da agronegócio da FGV, Roberto Rodrigues falou à CBN
O coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Blocos econômicos entre países facilitam agronegócio, Dr. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, abordou em entrevista à CBN a influência dos blocos econômicos no agronegócio brasileiro, destacando a crescente importância dos acordos bilaterais e regionais no comércio mundial. Segundo ele, esses acordos representam atualmente cerca de 40% do comércio agrícola global, configurando-se como uma estratégia cada vez mais adotada para facilitar as trocas comerciais entre países.
Contexto dos blocos econômicos e comércio mundial
Roberto Rodrigues explicou que a Organização Mundial do Comércio (OMC), Blocos econômicos entre países facilitam agronegócio, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), é responsável por regular o comércio internacional, estabelecendo limites para práticas protecionistas e tarifas alfandegárias. Apesar disso, os países têm buscado acordos bilaterais para reduzir tarifas de importação, prática que tem se tornado comum para facilitar o comércio e ampliar mercados.
O especialista enfatizou que Estados Unidos e União Europeia estão atualmente negociando a criação de uma área de livre comércio, o que pode impactar diretamente o mercado brasileiro. Isso porque cerca de um terço das exportações agrícolas do Brasil são destinadas a esses blocos econômicos: aproximadamente 23% para a União Europeia e 8% para os Estados Unidos. Produtos como carne, açúcar, café e suco de laranja podem sofrer redução de mercado caso o acordo seja firmado, devido a possíveis mudanças nas condições comerciais.
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Desafios para o Brasil e estratégias recomendadas: Roberto Rodrigues alertou para a necessidade do Brasil intensificar suas negociações bilaterais com grandes parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Índia, Japão e Coreia do Sul, a fim de evitar perda de mercado e manter a competitividade internacional. Atualmente, o país possui poucos acordos bilaterais, em contraste com países como o México, que conta com mais de 50 desses acordos.
Ele também ressaltou a dificuldade de harmonização das políticas comerciais dentro do Mercosul, o que dificulta negociações conjuntas com terceiros países. Por essa razão, defende que o Brasil conduza negociações individuais inicialmente e, posteriormente, envolva o bloco, buscando maior flexibilidade e eficácia nas tratativas comerciais.
Concorrência na América Latina e barreiras comerciais
O especialista destacou que os países da América Latina são concorrentes em diversas commodities importantes, como soja, carnes, milho, açúcar e café, o que limita a atuação conjunta no mercado internacional. Embora o Mercosul tenha um papel político relevante, sua participação conjunta no comércio mundial ainda é restrita.
Além das tarifas, Roberto Rodrigues explicou que os países têm criado barreiras não tarifárias para restringir importações, incluindo medidas sanitárias, sociais e ambientais. Exemplos citados incluem restrições à carne bovina por questões sanitárias e à soja por preocupações ambientais relacionadas ao desmatamento. Essas barreiras não tarifárias têm se tornado instrumentos frequentes para limitar o acesso ao mercado, afetando diretamente as exportações brasileiras.
Impacto das questões ambientais e sustentabilidade: O coordenador do Centro de Agronegócios da FGV ressaltou que o Brasil possui compromissos legais para evitar o desmatamento ilegal e que essas questões ambientais podem ser utilizadas como barreiras comerciais por outros países. Ele alertou para o aumento dessas barreiras não tarifárias, que dificultam a participação brasileira no comércio mundial, mesmo quando a produção está em conformidade com as normas nacionais.
Essa situação exige que o Brasil reforce suas políticas ambientais e estratégias comerciais para garantir o acesso aos mercados internacionais, conciliando sustentabilidade e competitividade.
Entenda melhor
O Brasil exporta grande parte de sua produção agrícola para a União Europeia e Estados Unidos, que juntos formam um dos maiores blocos econômicos do mundo. A formação de áreas de livre comércio entre esses países pode alterar as condições de acesso ao mercado para produtos brasileiros, exigindo estratégias comerciais ativas para manter a competitividade.



