Limitar o tempo online pode ser importante até no mundo corporativo; quem explica é David Forli Inocente
O termo “brain rot” (cérebro estragado) foi eleito recentemente pela Universidade de Oxford como a palavra do ano, refletindo uma crescente preocupação com os impactos do uso excessivo de redes sociais e consumo de informações online na saúde mental e intelectual das pessoas. A expressão, que não é nova e foi popularizada pelo autor David Tur, teve um aumento de 230% nas buscas neste ano, indicando um interesse crescente sobre o tema.
Segundo o professor Davi Forlin, Brain rot, o conceito não se refere a um dano físico literal ao cérebro, mas sim a uma deterioração da qualidade cognitiva causada pelo estímulo constante e pela busca por recompensas rápidas, como curtidas e feedbacks nas redes sociais. Esse comportamento pode levar à neblina mental, letargia, redução da capacidade de atenção e declínio cognitivo, sintomas relatados por pessoas que buscam tratamento nos Estados Unidos.
Impactos na atenção e na saúde mental
O uso excessivo das redes sociais tem contribuído para a diminuição da paciência dos jovens em manter a concentração por períodos prolongados, preferindo conteúdos rápidos, como vídeos de 15 a 30 segundos. Essa dificuldade de atenção compromete a capacidade de compreensão, criação e resolução de problemas, aspectos essenciais para o desempenho profissional e a liderança.
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Relação com ansiedade e depressão: Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) associam o aumento do uso das redes sociais a uma provável elevação dos casos de ansiedade, devido à expectativa por respostas imediatas em mensagens. Essa ansiedade, se não gerenciada adequadamente, pode evoluir para quadros de depressão, agravando o impacto na saúde mental dos usuários.
Orientações para líderes e profissionais: Para líderes, é importante observar sinais de dependência, como dificuldade em se desligar do celular durante reuniões, e promover diálogos abertos com suas equipes sobre o tema. Recomenda-se a prática do “detox digital”, que consiste em períodos sem acesso às redes sociais, desinstalação de aplicativos e uso controlado do celular, especialmente para fins profissionais.
Autopercepção e cuidados pessoais: O professor Davi Forlin sugere que as pessoas façam uma autoavaliação do tempo gasto nas redes sociais e testem sua capacidade de concentração, por exemplo, tentando ler um capítulo de livro sem interrupções. Identificar um uso excessivo pode ser o primeiro passo para buscar equilíbrio e preservar a saúde mental, fundamental para o bem-estar e a produtividade no trabalho.
Entenda melhor
O termo “brain rot” reflete uma preocupação global com os efeitos do consumo acelerado de informações digitais na cognição e saúde mental. A palavra do ano da Universidade de Oxford evidencia a necessidade de atenção e ações para mitigar esses impactos, especialmente em ambientes profissionais e educacionais.