Pela primeira vez, o Brasil celebra oficialmente o mês do orgulho autista, com ações voltadas à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa busca colocar pessoas autistas no centro do debate, valorizando suas trajetórias, conquistas e diferentes formas de existência.
A campanha também chama atenção para os desafios ainda enfrentados, especialmente na vida adulta, quando questões como inclusão no mercado de trabalho, autonomia e acesso a direitos continuam sendo obstáculos importantes. A proposta é ampliar o olhar da sociedade para além da infância e reforçar a necessidade de políticas públicas permanentes.
Inclusão
A advogada especialista em direitos coletivos e cidadania, Daniela Meca Lattaro, presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB de Ribeirão Preto, destaca que ainda há muitos espaços a serem abertos para pessoas com TEA.
Segundo ela, a inclusão não se encerra no ambiente escolar e precisa avançar para áreas como emprego apoiado e moradia assistida, garantindo mais autonomia na vida adulta. A especialista reforça que a pessoa autista permanece autista ao longo da vida, o que exige políticas contínuas de inclusão.
Acolhimento
Daniela ressalta ainda a importância de um atendimento em rede, envolvendo saúde, educação e assistência social, para garantir o encaminhamento adequado das famílias. Segundo ela, muitas situações ainda não recebem o suporte necessário de forma integrada.
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Ela também aponta que o diagnóstico precoce é um dos principais desafios, já que o TEA não é identificado por exame laboratorial, mas por avaliação clínica multidisciplinar, muitas vezes com longas filas no sistema público e na rede privada.
Conscientização
A presidente da comissão afirma que campanhas de conscientização são fundamentais para dar visibilidade ao tema e combater a exclusão social. Ela cita casos ainda recorrentes de dificuldades de inserção escolar, profissional e até situações de preconceito em condomínios e espaços coletivos.
Segundo ela, a sociedade ainda tende a desumanizar pessoas com autismo, o que reforça a importância de ações educativas contínuas para ampliar a compreensão sobre o transtorno.
Atuação
A Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB atua principalmente na conscientização, promoção de debates e encaminhamento de denúncias de violação de direitos. Também são realizados mutirões de atendimento e acolhimento a famílias.
A orientação é que casos individuais sejam encaminhados à Defensoria Pública ou à assistência jurídica adequada, enquanto o Ministério Público atua em demandas coletivas. A comissão também promove eventos e palestras sobre inclusão e direitos das pessoas com deficiência.



