Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
O Brasil, tradicionalmente um dos maiores exportadores de açúcar do mundo, deve enfrentar uma redução em sua participação no mercado global. Estimativas indicam uma queda de 46,6% no ciclo 2014-2015 para 44,2% no ciclo 2015-2016, que se encerra em setembro.
Impacto da Crise nas Usinas
José Carlos de Lima Jr. da CBN, aponta que um dos principais motivos para essa retração é a diminuição dos investimentos por parte das usinas de cana-de-açúcar. A crise econômica que assola o setor desde 2008 resultou em cortes nos investimentos em solo, impactando a qualidade da cana e, consequentemente, a oferta de açúcar para o mercado interno e externo.
Expressividade da Queda e Competitividade
Embora a queda de pouco mais de 2% possa parecer pequena, ela representa um impacto significativo em termos financeiros. Estima-se que essa redução corresponda a um embarque de mais de 10 milhões de toneladas de açúcar. Considerando a cotação atual do açúcar, essa diminuição representa uma perda considerável na receita das usinas e de toda a cadeia produtiva.
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Apesar da retração nas exportações, o Brasil tem se mostrado competitivo no mercado internacional, impulsionado pela desvalorização do real em relação a outras moedas. Essa desvalorização, embora problemática em outros aspectos, torna o açúcar brasileiro mais atrativo para compradores estrangeiros.
Etanol e Perspectivas Futuras
Com o início da safra, espera-se uma queda nos preços do etanol para o consumidor. A expectativa é de uma redução de até 25% no preço do litro, o que representa uma boa notícia para os consumidores. No entanto, a manutenção desse preço baixo dependerá de fatores como o consumo de etanol e a qualidade da cana. A tendência é que, após um período de queda, os preços voltem a se valorizar.
Em resumo, o Brasil enfrenta desafios no mercado de açúcar, mas a desvalorização do real e a perspectiva de queda nos preços do etanol trazem oportunidades e esperanças para o setor.