Quem fala mais sobre essas negociações é José Carlos de Lima Júnior na coluna ‘CBN Agronegócio’
O Brasil e a China discutem a possibilidade de realizar transações comerciais utilizando apenas suas moedas nacionais, o real e o yuan, respectivamente, eliminando a necessidade do dólar como moeda intermediária. Essa iniciativa visa tornar os negócios mais vantajosos e eficientes, reduzindo custos e aumentando a previsibilidade cambial.
Redução de Custos e Previsibilidade
A principal vantagem dessa medida é a redução de custos com conversões cambiais. Atualmente, as transações entre Brasil e China envolvem a conversão para dólar, gerando taxas e incertezas. A utilização direta do real e do yuan eliminaria essa etapa, simplificando o processo e reduzindo as despesas. Além disso, a previsibilidade do yuan, controlada pelo governo chinês, é maior que a do dólar, contribuindo para uma maior segurança nas transações.
Aumento do Volume de Exportações Brasileiras
A nova estratégia também pode aumentar o volume de exportações brasileiras para a China. O governo chinês controla a entrada de dólares em sua economia, limitando as importações. Ao utilizar o yuan como moeda de referência, a China pode importar mais produtos, beneficiando o Brasil e abrindo novas oportunidades de mercado para seus produtos agrícolas e industriais.
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Cenário Geopolítico e Desafios
Embora promissora, a iniciativa apresenta desafios. O Brasil precisa considerar o contexto geopolítico, mantendo um equilíbrio entre suas relações com a China e os Estados Unidos, uma vez que o Brasil também depende de importações de países que utilizam o dólar. A manutenção de uma reserva em dólares garante segurança para aquisições internacionais. A criação de uma nova moeda de reserva, baseada em commodities, pelos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), também configura um cenário complexo e que merece atenção.
Em resumo, a proposta de transações comerciais entre Brasil e China sem a intermediação do dólar apresenta vantagens significativas em termos de custos e previsibilidade. No entanto, é crucial analisar cuidadosamente o cenário geopolítico e a dependência brasileira de importações de países que utilizam o dólar para avaliar o impacto a longo prazo dessa iniciativa. A inflação global, impactada por fatores como a redução da produção de petróleo e a reabertura da economia chinesa, também configura um desafio para o cenário econômico internacional.