Médico da Fiocruz analisa os dados e fala sobre as discussões de flexibilização da quarentena no país
Avanço da Covid-19 em Ribeirão Preto e no Brasil
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos em número de mortes diárias por Covid-19, registrando cerca de 90 mortes por milhão de habitantes, contra 70 nos EUA. Essa diferença se acentua devido à subnotificação de testes no Brasil, fazendo com que os números de óbitos e ocupação de leitos de UTI reflitam de forma mais precisa a gravidade da situação.
Letalidade em Ribeirão Preto e a Vulnerabilidade da População
Embora Ribeirão Preto apresente uma taxa de letalidade menor (em torno de 3%) que a média nacional (6,3%), isso não justifica o relaxamento. Estudos da USP e Unifesp apontam que quase 98% da população ainda não teve contato com o vírus, indicando alta vulnerabilidade. As medidas de prevenção adotadas pela prefeitura contribuíram para a baixa letalidade, mas a população continua suscetível à infecção.
Planejamento e Adaptação em Tempos de Pandemia
A flexibilização das medidas de isolamento em Ribeirão Preto requer um planejamento adaptável, considerando os índices de ocupação de leitos de UTI. O aumento da ocupação, tanto em hospitais particulares quanto públicos, exige constante reavaliação das estratégias. Um plano de apoio às populações vulneráveis é crucial, especialmente em comunidades carentes, onde a letalidade pode ser significativamente maior (como demonstrado em estudo na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, com letalidade de 40%). A abertura gradual de comércios, como salões de beleza, deve ser acompanhada de regulamentação e orientação para evitar o aumento de casos.
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Em resumo, a situação em Ribeirão Preto, apesar de apresentar números mais favoráveis que a média nacional, demanda atenção constante. A vulnerabilidade da população e a necessidade de adaptação do planejamento em função da dinâmica da pandemia exigem cautela e ações contínuas para proteger a todos, especialmente os grupos mais suscetíveis.


