Dimas Facioli analisa os números mais recentes do Caged, comentando o atual momento do mercado de trabalho brasileiro
O Brasil gerou 654 mil vagas de emprego formal no primeiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) no final de abril. Em março, o saldo foi de 71,5 mil novos postos de trabalho, totalizando 2,23 milhões de admissões e 2,16 milhões de desligamentos no período. O estoque de trabalhadores formalizados atingiu 47,87 milhões, o maior da história.
Dados do mercado de trabalho formal
O crescimento da geração de empregos foi registrado em quatro dos cinco setores da economia, com destaque para o setor de serviços, que criou 362,8 mil vagas, seguido pela indústria com 153,8 mil empregos formais, construção civil com 100 mil e agropecuária com 51 mil. O comércio apresentou desempenho negativo, com a perda de 13,6 mil empregos no trimestre.
Desemprego e população ocupada: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país no primeiro trimestre de 2025 foi de 7%, o menor índice desde o início da série histórica em 2012. Em fevereiro de 2025, a população ocupada somava 102,8 milhões de pessoas, um aumento de 3% em relação ao mesmo período de 2024. A força de trabalho brasileira cresceu 1,7%, passando de 108 milhões em fevereiro de 2024 para 110 milhões em fevereiro de 2025.
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Perspectivas globais e impacto da inteligência artificial: Um estudo do Fórum Econômico Mundial projeta que até 2030 serão criados 78 milhões de novos empregos globalmente, apesar da previsão de fechamento de 92 milhões de postos devido à automação e ao uso da inteligência artificial. O saldo líquido esperado é de 78 milhões de empregos adicionais. As funções de linha de frente, como trabalhadores rurais, motoristas de entrega e operários da construção civil, devem ter maior crescimento, assim como profissionais da saúde e da educação.
Desafios e preocupações econômicas: Apesar do crescimento do emprego formal, analistas apontam preocupações relacionadas ao cenário econômico, como taxas de juros elevadas e incertezas nos investimentos, que podem afetar a contratação futura. O comércio enfrenta um processo de transformação com o avanço das lojas virtuais, o que também impacta o mercado de trabalho. A recuperação dos empregos perdidos durante a pandemia ainda está em curso, e a continuidade do crescimento depende da estabilidade econômica.
Entenda melhor
O Caged registra a movimentação formal de trabalhadores, enquanto o IBGE considera a população ocupada total, incluindo empregos informais. O crescimento do emprego formal reflete a recuperação econômica pós-pandemia, mas o cenário global e local apresenta desafios que podem influenciar as tendências futuras do mercado de trabalho.