No Dia Mundial de Conscientização contra o Câncer, celebrado nesta quarta-feira (4), o Inca (Instituto Nacional de Câncer) divulgou estimativas que apontam para 781 mil novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Em entrevista ao Manhã CBN, o médico oncologista Diocésio Andrade destacou que o câncer já se aproxima das doenças cardiovasculares como uma das principais causas de adoecimento e morte no país.
Segundo os dados apresentados pelo Inca, o Brasil pode registrar quase três milhões de novos casos de câncer ao longo do próximo triênio. O avanço está diretamente relacionado ao envelhecimento da população, à exposição prolongada a fatores de risco e, principalmente, ao diagnóstico tardio.
De acordo com Andrade, o crescimento da mortalidade acompanha esse cenário e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas tanto à prevenção quanto ao rastreamento precoce da doença.
Prevenção diária
A chamada prevenção primária, ligada aos hábitos de vida, tem papel fundamental na redução do risco de câncer. O oncologista ressaltou que a prática regular de atividade física, o abandono do tabagismo e a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e embutidos fazem diferença significativa ao longo dos anos.
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Outro ponto destacado foi a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente nos postos de saúde para crianças e adolescentes, com ampliação oportunística até os 19 anos. A vacina é considerada essencial na prevenção do câncer do colo do útero.
Diagnóstico precoce
A prevenção secundária, baseada na realização de exames de rotina, é decisiva para evitar casos avançados. Para as mulheres, a recomendação inclui mamografia a partir dos 40 anos — faixa etária atendida pelo SUS desde novembro do ano passado —, colonoscopia a partir dos 45 anos e acompanhamento ginecológico regular.
Para os homens, o médico reforça a importância da colonoscopia a partir dos 45 anos e da avaliação da próstata, com exames de PSA e toque retal entre os 45 e 50 anos, conforme indicação médica.
Tipos frequentes
Entre as mulheres, os cânceres mais incidentes são os de mama, com cerca de 80 mil novos casos por ano, seguido pelos de intestino e colo do útero. Já entre os homens, predominam os cânceres de próstata, intestino e pulmão. Há também o crescimento do câncer de intestino, que já superou o de pulmão, associado a mudanças na alimentação e ao aumento da obesidade.
Mesmo com a ampliação do acesso a exames e vacinas, o oncologista avalia que ainda falta engajamento da população. Segundo ele, é preocupante que vacinas preventivas permaneçam disponíveis nos postos por falta de procura.
Estimativas apontam que até 50% dos casos de câncer e quase metade das mortes poderiam ser evitados com mudanças de hábitos e adesão às estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.



