O pós-operatório exige adaptação e novos hábitos alimentares; nutricionista fala de cuidados importantes depois da cirurgia
No Brasil, cerca de 70 mil pessoas com obesidade realizam anualmente a cirurgia bariátrica, 70 mil cirurgias bariátricas por ano!, popularmente conhecida como redução de estômago. Apesar de ser um procedimento bastante invasivo, o maior desafio para os pacientes não está na cirurgia em si, mas na adaptação a novos hábitos alimentares e a uma nova rotina de vida, conforme explica a nutricionista Fernanda Carvalho Mangabeira, em entrevista à CBN.
Desafios na mudança de hábitos alimentares
Fernanda destaca que a principal dificuldade é a mudança da mentalidade do paciente. Para quem sofre de obesidade, 70 mil cirurgias bariátricas por ano!, alimentos industrializados e fast foods fazem parte da rotina, e a orientação para abandonar esses hábitos e reduzir as quantidades consumidas é um processo lento e complexo. A nutricionista ressalta que a nutrição deve caminhar junto com o acompanhamento psicológico, pois o paciente pode apresentar momentos de recaída.
“A parte mais difícil da cirurgia bariátrica não é a cirurgia em si. Eu falo que é a adaptação para essa nova rotina alimentar.”
Ela reforça que a cirurgia é apenas uma etapa do tratamento, considerada a “cereja do bolo”. Sem mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação adequada e prática regular de atividade física, há risco de reganho de peso e retorno à obesidade.
Alimentação e saciedade no pós-operatório: Logo após a cirurgia, a dieta do paciente passa por fases: inicialmente líquida restrita, seguida por líquida batida, pastosa, branda e, finalmente, dieta geral. Desde o início, a ingestão adequada de proteínas e fibras é fundamental para promover saciedade, prevenir a perda de massa muscular e auxiliar no funcionamento intestinal.
Na fase líquida, o paciente recebe suplemento proteico, geralmente à base de whey protein, duas vezes ao dia. A partir da dieta branda, são introduzidos alimentos como carnes, ovos, legumes cozidos e verduras refogadas. A meta diária de proteínas é de aproximadamente 80 gramas, volume considerado alto para pacientes pós-bariátricos, que muitas vezes necessitam de suplementação para atingir essa quantidade.
Consumo de álcool e refrigerantes após a cirurgia
Fernanda alerta que a absorção do álcool após a cirurgia bariátrica é mais rápida e intensa devido à redução da capacidade do estômago, o que pode aumentar o risco de alcoolismo. Por isso, o consumo de bebidas alcoólicas é proibido nos primeiros seis meses após o procedimento. O mesmo vale para refrigerantes, que além de oferecerem calorias vazias, podem antecipar o reganho de peso.
“Nós não liberamos até seis meses de posterioria, não é liberado nem o consumo de refrigerante nem o consumo de bebida alcoólica para não ter esse risco.”
Opções para pacientes veganos e a importância da hidratação: Para pacientes veganos, a nutricionista explica que as fontes proteicas são os grãos, como feijão, lentilha, grão-de-bico, castanhas e oleaginosas. No entanto, a quantidade necessária para atingir a meta proteica diária é muito grande para o estômago reduzido do pós-operatório. Por isso, é recomendada a suplementação proteica vegana, à base de ervilha e arroz.
A hidratação também é um ponto crítico, pois a capacidade reduzida do estômago dificulta o consumo da quantidade ideal de água, que deve ser entre 30 e 35 ml por quilo de peso corporal. A ingestão insuficiente pode levar a náuseas, desidratação, infecções urinárias e cálculo renal, exigindo, em alguns casos, hidratação intravenosa.
Importância do acompanhamento multidisciplinar e riscos do retorno aos hábitos antigos: Fernanda enfatiza que a cirurgia bariátrica não é uma solução fácil e exige planejamento e acompanhamento rigoroso. Antes da cirurgia, os pacientes passam por avaliações nutricionais e psicológicas para garantir que estejam aptos ao procedimento. O acompanhamento pós-operatório, incluindo nutricional, médico e psicológico, é fundamental para tratar a compulsão alimentar e evitar o retorno aos hábitos prejudiciais.
O retorno rápido aos hábitos alimentares antigos pode levar ao reganho de peso e ao desenvolvimento de doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas articulares. Além disso, a falta de adesão à reposição vitamínica, especialmente de ferro, vitamina B12, vitamina D e cálcio, pode causar deficiências graves.
“A avaliação psicológica pós-operatória é tão importante quanto a nutricional, porque o paciente vai ter vontade de comer e vai querer comer e não consegue.”
Cirurgia bariátrica e doenças associadas: Ao contrário do que alguns podem imaginar, a cirurgia bariátrica tende a melhorar condições como hipertensão e diabetes, contribuindo para a reversão dessas doenças em muitos pacientes. No entanto, a manutenção dos resultados depende da mudança permanente do estilo de vida.
Entenda melhor
- A cirurgia bariátrica é um procedimento invasivo que reduz o volume do estômago, exigindo adaptações alimentares para o resto da vida.
- A nutrição e o acompanhamento psicológico são essenciais para o sucesso do tratamento e para evitar recaídas.
- O consumo de álcool e refrigerantes é proibido nos primeiros seis meses após a cirurgia devido ao risco de absorção rápida e reganho de peso.
- Pacientes veganos devem complementar a dieta com suplementos proteicos específicos para atingir a meta diária.
- A hidratação adequada é fundamental para prevenir complicações pós-operatórias.
- O acompanhamento multidisciplinar contínuo é necessário para prevenir deficiências nutricionais e o retorno da obesidade.



