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Brasil registra crescimento de cerca de 30% no volume de produtos exportados para a China

Além dos bons resultados nas exportações, país também registra crescimento na venda de petróleo; ouça a coluna 'CBN Economia'
Brasil registra crescimento de cerca
Além dos bons resultados nas exportações, país também registra crescimento na venda de petróleo; ouça a coluna 'CBN Economia'

Além dos bons resultados nas exportações, país também registra crescimento na venda de petróleo; ouça a coluna ‘CBN Economia’

O comércio exterior brasileiro começa o ano com resultados robustos e crescimento concentrado em volumes, mais do que em preços, segundo o comentarista Nelson Rocha, da CBN. A alta na quantidade de produtos embarcados, especialmente para a China, tem impulsionado uma série de bons indicadores para a economia.

Exportações em alta: volume supera valor

Nos primeiros meses do ano, o volume de exportações para a China avançou pouco mais de 30% na média de janeiro e fevereiro, com março mantendo o ritmo forte, de acordo com Rocha. O movimento é explicado pela maior quantidade de mercadorias vendidas, ainda que alguns produtos, como soja e milho, tenham sofrido queda de preço.

Entre os destaques por produto, as carnes registraram acréscimo próximo de 40% em quantidade — especialmente carne bovina — e minério de ferro, petróleo e grãos seguiram em alta. Pela primeira vez, o Brasil exportou mais milho para a China do que os Estados Unidos, reflexo da capacidade produtiva brasileira e de mudanças na demanda externa.

Também tiveram crescimento expressivo as exportações de açúcar e etanol: o etanol exportado somou cerca de 1,279 bilhão de litros no período, ante 937 milhões no ano anterior, um salto superior a 30%. No sentido inverso, as importações brasileiras da China aumentaram quase 30% em quantidade, puxadas por celulares, eletroeletrônicos e automóveis.

Segundo Rocha, a expansão do fluxo comercial é inédita em sua magnitude para um mesmo bimestre e amplia as perspectivas de investimentos em setores nos quais o Brasil é competitivo, com efeitos positivos posteriores sobre emprego, arrecadação e crescimento econômico. Em 2023, o país registrou um superávit na balança comercial próximo de 100 bilhões de dólares, recorde histórico, e as exportações para a China superaram pela primeira vez a marca anual de 100 bilhões de dólares.

Setores em destaque

Além de carnes e grãos, o café continua registrando bons números. Embora a China compre pouco café brasileiro, os maiores destinos permanecem Estados Unidos e Alemanha, que têm impulsionado a série de recordes. A próxima safra de café, que marcará o ano de produção plena dentro da bienalidade, deve ser grande e ajudar a manter o ritmo das exportações, após a venda de estoques remanescentes.

Inflação e juros

Os indicadores domésticos trouxeram leituras relativamente controladas. O IPCA registrou 0,83% no mês, acima da expectativa média do mercado de 0,78%, com desvio concentrado em serviços e no componente educacional por conta do início do ano letivo. A projeção apontada por analistas é de inflação anual em torno de 4%.

No plano da política monetária, Rocha lembrou que o Banco Central já promoveu quatro cortes na Selic e que o mercado trabalha com a possibilidade de novas reduções. O comentarista estimou a chance de pelo menos mais cinco cortes até o fim do ano, o que colocaria a taxa próxima de 9% e poderia favorecer expansão do investimento e do emprego.

O quadro atual do comércio exterior e as leituras econômicas recentes sugerem um momento favorável para o Brasil, com sinais de que o crescimento nas exportações e a acomodação da inflação podem reforçar a recuperação econômica nos próximos meses.

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