Cerca de nove milhões de pessoas deixaram de viver abaixo da linha da pobreza, quando se vive com menos de R$ 665 por mês
O Brasil registrou em 2023 o menor nível de pobreza e extrema pobreza dos últimos 12 anos, Brasil registra menor nível de pobreza, segundo relatório recente do IBGE. Cerca de 9 milhões de pessoas deixaram de viver abaixo da linha da pobreza, definida como renda inferior a R$ 600 por mês, e a extrema pobreza caiu para 4,4% da população, pela primeira vez abaixo da barreira de 5%.
Redução da pobreza em 2023: O resultado é considerado relevante e demonstra avanços nas políticas econômicas e públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida. Em 2024, a economia brasileira continuou apresentando crescimento, pleno emprego, volume expressivo de vendas e alto nível de investimentos, o que indica que os indicadores podem estar ainda melhores atualmente.
Desafios fiscais e econômicos: Apesar dos avanços, ainda há um número expressivo de pessoas em situação de pobreza, o que exige continuidade nas políticas públicas. No entanto, o governo federal tem demorado a propor ajustes fiscais necessários, como controle orçamentário, redução de despesas e combate ao desperdício. Essa demora contribuiu para a desvalorização de mais de 25% do real em 2024 e para a elevação da taxa de juros, que podem reduzir os efeitos positivos sobre a população mais vulnerável.
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Conflitos institucionais e orçamento: O Congresso Nacional tem atrasado a votação do orçamento e das propostas de ajuste fiscal, em parte devido a negociações relacionadas às emendas parlamentares, cujo valor saltou de R$ 5 bilhões para R$ 50 bilhões nos últimos dez anos. O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a forma como essas emendas vinham sendo executadas, exigindo maior transparência e regras claras para o uso do dinheiro público. Essa decisão gerou desconforto entre parlamentares e atrasos nas votações.
Controvérsias no Judiciário: Por outro lado, o sistema judiciário autorizou o pagamento de auxílios financeiros (conhecidos como “cofres”) para juízes federais, sem respaldo legal, o que pode representar um gasto de cerca de R$ 50 bilhões. Essa situação tem gerado críticas e preocupação quanto ao uso dos recursos públicos.
Panorama
O cenário atual aponta para uma desaceleração da atividade econômica no primeiro semestre de 2025, devido à demora na implementação do ajuste fiscal e à desvalorização cambial, que impacta especialmente a população de baixa renda. Enquanto as classes mais altas podem se beneficiar da alta taxa de juros por meio de investimentos, as classes menos favorecidas sofrem com a inflação e a perda do poder de compra. A continuidade do crescimento econômico e a redução da pobreza dependem do equilíbrio fiscal e da transparência na gestão dos recursos públicos.