No estado os registros de mulheres vítimas de assassinato aumentaram 179%; principais agressores são ex-companheiros
Em menos de 10 dias, três mulheres foram mortas na região por companheiros ou ex-companheiros, a maioria dos casos motivada pela recusa em aceitar o fim do relacionamento. A violência contra a mulher mostra-se crescente, com um aumento de 179% nos casos em São Paulo em 2020 em comparação com 2019. Na região de Ribeirão Preto, foram registrados 30 feminicídios em 2019, 15 em 2020 e 13 de janeiro a setembro de 2023.
Perfil das Vítimas e Agressores
Um levantamento do Instituto Patrícia Galvão, com 1.503 mulheres, revela que o momento mais crítico é o fim do relacionamento: 30% relataram ameaças de morte e uma a cada seis sofreu tentativa de feminicídio. 12% das entrevistadas não reagiram por medo pela própria vida, dos filhos e familiares. O juiz titular da Vara Especializada em Violência contra a Mulher de Ribeirão Preto, Dr. Caio César Meluso, destaca o histórico de machismo e patriarcado como base do problema, enfatizando a necessidade de mudanças culturais e educacionais desde a infância.
Combate à Violência Doméstica: Um Trabalho Multifacetado
O combate à violência doméstica, segundo o Dr. Meluso, envolve três aspectos: o combate direto (prisão e julgamento dos agressores), o empoderamento da vítima (assistência e apoio para que ela consiga romper o ciclo de violência) e a prevenção por meio da educação (projetos nas escolas para conscientizar crianças e jovens). A falta de suporte financeiro, a dependência do agressor e a ausência de orientação são fatores que impedem muitas mulheres de se separarem. A existência de casas-abrigo, apoio para transferência de filhos de escola e acesso a profissões e renda cidadã são cruciais para o empoderamento feminino.
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Desafios e Soluções
O Dr. Meluso aponta a necessidade de uma rede de apoio mais integrada e eficiente, envolvendo os poderes executivo, judiciário e legislativo. A falta de uma secretaria da mulher em Ribeirão Preto dificulta a articulação dos serviços, atualmente dispersos em diferentes secretarias. Apesar dos avanços, como a instalação da Vara Especializada, há desafios como o grande número de processos (5600) e a necessidade de fortalecer a rede de apoio existente. A conscientização da sociedade, a educação e a cobrança dos representantes políticos são fundamentais para garantir a efetivação das políticas públicas e o combate à violência doméstica. A imprensa tem um papel crucial na divulgação e conscientização sobre o tema.



