Ouça o quadro ‘A cidade há 100 anos’, com Rosana Zaidan
Há 100 anos, o Jornal da Cidade noticiava, entre outras informações, uma briga em Ribeirão Preto. Mas, como a nota também revela, era um tempo onde a valsa reinava, animando os saraus e lares da cidade.
A Valsa como Entretenimento Doméstico
Naquela época, a valsa estava em alta, e ter uma partitura para tocar em casa era um desejo comum. As partituras eram vendidas ou distribuídas como presentes, incentivando a prática musical. Com a indústria fonográfica ainda em seus primórdios, as pessoas buscavam novidades para animar os encontros em casa. A Casa Seles, por exemplo, presenteou o Jornal da Cidade com a partitura da valsa “Didon”, composta pelo maestro Abílio Ribeiro dos Santos e dedicada a Seu Diassiz.
Os Saraus e a Música ao Vivo
Receber a partitura era o primeiro passo. Depois, vinham os ensaios e, finalmente, a apresentação para as visitas. O piano se tornava o centro das atenções, embalando os encontros ao som da valsa. Era um costume, um hábito, uma tradição, já que o rádio e outras formas de entretenimento ainda não eram populares.
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As Brigas e Desavenças Cotidianas
Entretanto, nem tudo eram valsas e melodias. As brigas também faziam parte do cotidiano, como a ocorrida na Confeitaria Salvador, na Rua General Osório. Bortolo Franzoni e Albano Ribeiro, “acalorados por uma questão de vinho”, entraram em luta corporal, resultando em ferimentos leves para ambos. A polícia interveio e os conduziu à cadeia, em uma tentativa de restaurar a ordem e a temperança.
Discussões e momentos de alegria coexistiam, lado a lado, em um tempo que parece distante, mas cujas histórias ainda ressoam em nossos dias.



