Fatores como altas temperaturas podem agravar situações como essas; ouça a explicação da psicóloga Daniele Zeotti
Nas últimas semanas, a cidade de Ribeirão Preto registrou diversos episódios de violência e agressividade, Brigas de trânsito, ataques de fúria e outros comportamentos agressivos… quais são as causas?, incluindo brigas de trânsito, tiroteio em campo de futebol, conflitos entre casais e um caso de agressão envolvendo um pai dentro de uma escola. Esses acontecimentos levantam questionamentos sobre a normalidade desses ataques de fúria e se eles podem estar associados a algum transtorno mental.
Para esclarecer essas dúvidas, a psicóloga Daniela Zeote participou do programa CBN Comportamento e explicou os aspectos relacionados às crises de raiva e seus possíveis impactos na saúde mental e social.
Fatores que desencadeiam ataques de raiva
Segundo Daniela Zeote, o calor intenso do verão, comum em grande parte do Brasil, pode contribuir para o aumento da frequência de ataques de raiva. Esses episódios são caracterizados por uma reação desmedida da pessoa diante de um estímulo inicial, geralmente pequeno, que gera uma frustração intensa. Durante a crise, a pessoa perde o controle e pode apresentar agressões verbais, físicas ou até mesmo destruir objetos, colocando em risco a si mesma e a terceiros.
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Durante uma crise, o indivíduo pode apresentar sintomas físicos como aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial, sudorese excessiva e tremores. A reação é comparada a uma situação de defesa da própria vida, na qual a pessoa utiliza a força física ou a voz para impor sua opinião ou pensamento.
Diferença entre crise de raiva e surto psicótico: É importante destacar que, apesar da intensidade da reação, a pessoa em crise de raiva não está psicótica. Daniela Zeote explica que, durante a crise, o indivíduo não apresenta alucinações, delírios ou escuta vozes, características típicas de um surto psicótico. A pessoa pode não medir a força da sua reação, mas mantém o contato com a realidade, o que a torna imputável e responsável por seus atos segundo a legislação.
Quando a raiva pode indicar um transtorno mental: Qualquer pessoa pode ter crises de raiva em diferentes momentos da vida, incluindo crianças, adolescentes e adultos. No entanto, quando essas crises ocorrem com frequência elevada, por exemplo, pelo menos uma vez a cada duas semanas durante três meses consecutivos, pode ser indicativo de um transtorno mental chamado transtorno explosivo intermitente, reconhecido pelas classificações internacionais CID-10, CID-11 e DSM-5.
Esse transtorno envolve episódios recorrentes de agressões físicas ou ameaças verbais desproporcionais ao estímulo desencadeante. A pessoa pode apresentar irritabilidade constante, falta de paciência, e após as crises, sentimentos de arrependimento e culpa, especialmente quando as agressões atingem pessoas próximas.
Abordagem e tratamento do transtorno explosivo intermitente
Durante uma crise de raiva intensa, a contenção física pode ser necessária para proteger a pessoa e os demais ao redor, mas deve ser feita com cautela e, se possível, com ajuda de outras pessoas. Caso a situação ultrapasse o controle, a intervenção policial pode ser necessária para garantir a segurança.
Após a crise, é o momento adequado para diálogo e para incentivar a busca por ajuda profissional. O tratamento do transtorno explosivo intermitente envolve uma avaliação psiquiátrica e psicológica detalhada, podendo incluir o uso de medicamentos como antidepressivos, ansiolíticos ou neurolépticos em doses específicas para controlar os impulsos agressivos.
Além da farmacoterapia, a psicoterapia é fundamental para que o paciente desenvolva estratégias para lidar com frustrações e reaja de forma menos destrutiva. O acompanhamento contínuo é essencial, pois trata-se de um transtorno crônico que exige atenção e cuidados ao longo da vida para manter o controle dos sintomas.
Entenda melhor
O transtorno explosivo intermitente é um distúrbio do controle dos impulsos que se manifesta por crises de raiva frequentes e desproporcionais. Apesar de ser crônico, o tratamento adequado pode proporcionar melhora significativa na qualidade de vida do paciente e reduzir os riscos sociais e pessoais associados às crises.
É fundamental que familiares e amigos estejam atentos aos sinais e incentivem a busca por avaliação profissional, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são determinantes para o sucesso terapêutico.