Apenas seis candidata se tornarão prefeitas em janeiro nas 66 cidades de cobertura; Bruno Silva comenta o cenário
As eleições de 2023 trouxeram à tona a questão da representatividade feminina na política brasileira. Em São Paulo, 11% dos prefeitos eleitos são mulheres, enquanto nas câmaras municipais, esse número chega a 17%. Embora haja um crescimento, a diferença em relação à participação masculina ainda é significativa.
Desafios para a Representatividade Feminina
Em âmbito nacional, apenas 19,9% das mulheres foram eleitas, um número baixo considerando que mais de 50% do eleitorado é feminino. Apesar de estímulos como o financiamento de campanhas, que em tese deveria alocar 30% dos recursos para candidaturas femininas, a realidade demonstra a necessidade de medidas mais eficazes para aumentar a participação feminina na política. A desigualdade é ainda maior no executivo municipal, onde os percentuais de mulheres eleitas são muito menores.
A Importância da Equidade de Gênero na Política
A presença equilibrada de homens e mulheres na política é crucial por dois motivos principais. Primeiro, contribui para superar a cultura machista arraigada na política, onde mulheres são frequentemente interrompidas ou têm seus méritos diminuídos. Segundo, a perspectiva feminina enriquece o debate político, trazendo sensibilidade e compreensão para temas específicos que muitas vezes são ignorados pela visão masculina. Aumentar a quantidade de mulheres na política não resolve automaticamente o machismo, mas cria um espaço mais equitativo e competitivo.
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A Necessidade de Mudanças Estruturais
A igualdade salarial, por exemplo, ainda é uma luta, demonstrando a necessidade de transformações estruturais para garantir a representatividade feminina. Aumentar o número de mulheres na política requer mais do que apenas incentivos financeiros; é preciso uma mudança de cultura dentro dos partidos, promovendo a conscientização e a igualdade de oportunidades. O perfil do político brasileiro, predominantemente masculino e de centro-direita, precisa ser diversificado para refletir a pluralidade da sociedade.
A busca por uma maior representatividade feminina na política é um processo contínuo que exige esforços conjuntos para criar condições mais justas e igualitárias de participação. Somente assim, a democracia poderá ser verdadeiramente representativa da sociedade brasileira, em toda sua diversidade.