Produtores precisam adotar estratégias para tentar contornar as mudanças climáticas e manter a saúde das plantas e a qualidade
Café em Crise no Sul de Minas: Calor e Chuvas Irregulares Causam Prejuízos
Produtores de café no Sul de Minas Gerais enfrentam sérios problemas devido ao calor intenso e chuvas irregulares. Em Guachopé, cafeicultores como Fernanda Baesso, consultora de sustentabilidade, buscam alternativas para minimizar os danos. A estratégia adotada é a utilização de plantas de cobertura, que funcionam como uma espécie de palha, retendo a umidade do solo e protegendo as raízes. Segundo Fernanda, “a gente faz um trabalho aqui de planta com mix de cobertura, que são plantas de serventia que contribuem para manter o clima ameno e, além do mais, quando a gente faz a roçada dessa planta de cobertura, a gente cria uma camada de matéria verde, que depois se decompõe e vira uma matéria orgânica, e isso contribui para que a gente retenha a umidade do solo, retenha a água no solo, formando uma esponja. Então, quando a planta precisa de água, essa esponja vai fornecer.”
Impacto na Produção e Perdas Significativas
A Fundação Procafé aponta que, desde julho de 2022, a região tem registrado temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado. O técnico em agropecuária explica que a planta de café necessita de temperaturas em torno de 23 graus para se desenvolver adequadamente. As condições climáticas adversas afetam diretamente a produção, levando à perda de frutos e à necessidade de replantio. Em São Pedro da União, mais de 24 mil mudas foram perdidas devido ao calor excessivo, causando prejuízos significativos para o cafeicultor Daniel, que terá que esperar três anos para a recuperação da lavoura. Ele relata: “há 15 anos a cafeicultura tinha presenciado e com isso a gente teve um custo muito elevado da renovação da lavoura. A gente teve que replantar totalmente uma área por causa do calor excessivo. E vamos tentar porque cada vez mais esse tempo está mais difícil para nós produtores. A chuva muito intensa, quando vem chuva muito forte, calor muito excessivo, muita variação de temperatura.”
Adaptação e Busca por Soluções
O excesso de sol queima as plantas, enquanto temperaturas abaixo de 13 graus ou acima de 30 graus comprometem o metabolismo da planta de café. Para evitar maiores danos, produtores como José Pereira investem em técnicas de proteção, como a utilização de camadas de vegetação para proteger as lavouras. A busca por soluções e a adaptação às mudanças climáticas são cruciais para garantir a sustentabilidade da cafeicultura na região.
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As adversidades climáticas têm impactado fortemente a produção de café no Sul de Minas, exigindo dos produtores a adoção de novas estratégias e investimentos para mitigar os prejuízos e garantir a continuidade da atividade. A combinação de calor intenso e chuvas irregulares tem se mostrado um desafio significativo, mas a resiliência e a inovação dos cafeicultores são fundamentais para superar esse momento.