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Calor, tempo seco, ausência de chuva… será que Ribeirão contribui na melhora do clima?

Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais, a cidade tem apenas 9% de área verde; plano de arborização é fundamental
Calor
Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais, a cidade tem apenas 9% de área verde; plano de arborização é fundamental

Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais, a cidade tem apenas 9% de área verde; plano de arborização é fundamental

Ribeirão Preto enfrenta um problema crescente relacionado à escassez de áreas verdes, Calor, tempo seco, ausência de chuva… será que Ribeirão contribui na melhora do clima?, o que contribui para o aumento da temperatura na cidade, fenômeno conhecido como ilha de calor. A falta de árvores plantadas, especialmente no centro da cidade, tem impacto direto no conforto térmico e na saúde da população.

O jornalista Samuel Santos, que atua diariamente em reportagens pela cidade, relata a dificuldade em encontrar sombra natural durante o trabalho.

“É difícil encontrar uma sombra quando a gente vai fazer uma reportagem, por exemplo. Aqui no centro são pouquíssimas árvores e o que sobra para a gente é aquela sombra de marquise, de proteção, de frente de imóvel, que não é tão fresca quanto a sombra de uma árvore, não tem comparação”, afirmou.

Segundo ele, a situação é crítica não apenas no centro, mas em diversos bairros de Ribeirão Preto, onde a sensação de secura e calor intenso é constante e prejudica a saúde dos moradores.

Impacto no dia a dia e relatos da população

Luiz Alberto, comerciante da região central, também comentou sobre a dificuldade de encontrar sombra para descansar.

“Tem para a gente achar uma árvore mais de boa, né, isso fica nela, né, mas está faltando muito, falta bastante árvore. No centro é complicado você andar, porque o pessoal tira as árvores, não tem”, relatou.

A ausência de áreas verdes contribui para o desconforto térmico e para o agravamento de problemas de saúde relacionados ao calor.

Dados ambientais e necessidade de ação: De acordo com o Instituto de Pesquisas Ambientais, Ribeirão Preto possui atualmente pouco mais de 9% de área verde, percentual considerado baixo para uma cidade do porte e clima da região. Marcelo Pereira, ambientalista e professor de políticas ambientais da Universidade de São Paulo (USP), destaca a urgência na implementação de um plano de plantio de árvores.

“É preciso pensar em um plano urgente de plantio de árvores. Mesmo que você fique aqui vendo água, só o mormaço faz isso, não tem, eu vou embora quando eu estou aguentando mais”, explicou.

Ele enfatiza que a vegetação é essencial para melhorar a umidade relativa do ar e amenizar as altas temperaturas.

Contexto global e local das temperaturas extremas: Um levantamento da Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta que os dias com temperaturas acima de 35ºC estão aumentando globalmente. No Brasil, a média anual de dias extremamente quentes subiu de 4,9 na década de 1970 para 26,6 na década de 2020. Essa tendência reflete diretamente em cidades como Ribeirão Preto, que sofre com períodos prolongados de calor intenso e seca.

O aumento da temperatura está associado não apenas à falta de áreas verdes, mas também ao crescimento das construções, ao uso extensivo de asfalto e à poluição. Marcelo Pereira alerta para a necessidade de equilibrar o desenvolvimento urbano com a preservação ambiental, criticando o foco exclusivo no lucro em detrimento das questões sociais e ambientais.

“Essa história de somente o lucro, independente de questões sociais e ambientais, está levando não só Ribeirão, mas o planeta a um ponto de inflexão. É hora de pensarmos que sim, claro, as empresas e as pessoas num sistema capitalista têm que gerar recursos, lucros, etc., mas não pode ser só”, afirmou.

Entenda melhor

A ilha de calor é um fenômeno urbano em que áreas densamente construídas apresentam temperaturas significativamente mais altas do que regiões rurais próximas, devido à absorção e retenção de calor por superfícies como asfalto e concreto, além da redução da vegetação. A presença de árvores ajuda a reduzir a temperatura local por meio da sombra e da evapotranspiração.

Especialistas recomendam o plantio de árvores em áreas urbanas como uma medida eficaz para melhorar a qualidade do ar, aumentar a umidade e proporcionar conforto térmico à população. Em Ribeirão Preto, a baixa cobertura vegetal agrava os efeitos das ondas de calor, que têm se tornado mais frequentes e intensas.

Para a população, a sugestão é que, sempre que possível, sejam plantadas árvores em espaços disponíveis, como em frente às residências, contribuindo para a melhoria do microclima local e para a saúde coletiva.

Na manhã desta quinta-feira, a temperatura já marcava 30ºC às 8 horas, chegando a 34ºC pouco depois, indicando que a situação de calor extremo deve se agravar ao longo do dia.

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