Segunda votação sobre o assunto poderá diminuir os vencimentos de R$ 7,5 mil para R$ 5 mil
Em um movimento que ecoa por diversas cidades, a população de Matão, no interior de São Paulo, demonstrou seu poder de mobilização ao exigir e conseguir a redução dos salários dos vereadores e do número de cadeiras na Câmara Municipal. A iniciativa, impulsionada por uma votação popular online, serve de exemplo para outras localidades que buscam maior responsabilidade fiscal e representatividade política.
A Voz do Povo em Matão
A singularidade da ação em Matão reside na participação direta dos eleitores na decisão. Através de uma votação online promovida pela Câmara, os cidadãos puderam escolher entre diferentes cenários, incluindo a manutenção do status quo, a redução do número de cadeiras com salários inalterados, a redução dos salários com o número de cadeiras mantido, ou a opção vencedora: a redução tanto dos salários quanto do número de vereadores. Sandro Trenche, presidente da Câmara, enfatizou a importância da consulta pública, que permitiu à população justificar suas escolhas e influenciar diretamente a votação final.
Impacto Financeiro e Simbólico
A medida aprovada, que entrará em vigor em 2017, representa uma diminuição significativa nos gastos da Câmara. Os salários dos vereadores serão reduzidos de R$ 7.400 para R$ 5.064, e o número de cadeiras diminuirá de 15 para 11. A economia gerada, estimada em R$ 1,5 milhão por ano, poderá ser investida em áreas prioritárias, como a construção de creches, suprindo uma demanda urgente da população. Além do impacto financeiro, a iniciativa tem um forte valor simbólico, demonstrando que a população está atenta e disposta a cobrar responsabilidade dos seus representantes.
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O Efeito Cascata e a Insatisfação Política
O sucesso da mobilização em Matão inspirou outras câmaras municipais a considerarem medidas semelhantes. Cidades como São João da Boa Vista e Escalvado planejam realizar consultas públicas para ouvir a opinião dos moradores. Em outras localidades, como Taquaritinga, Igarapava, Pedregulho e Pradópolis, a população se organiza através de coletas de assinaturas para pressionar por mudanças. Segundo o professor de ciência política Antônio Calisto, essa onda de mobilização reflete a crescente insatisfação da população com a classe política, motivada por escândalos e pela falta de respostas efetivas aos problemas da sociedade.
A iniciativa em Matão, e as que se seguiram, mostram um caminho para que a população possa influenciar as decisões políticas e cobrar maior responsabilidade dos seus representantes.



