Texto indica que sejam respeitadas as normas ambientais; Bruno Silva fala desta tendência no ‘De Olho na Política’
Projeto para enterro de animais de estimação no cemitério de Orlândia divide Câmara
Em sessão na segunda-feira, vereadores de Orlândia aprovaram um projeto de lei que autoriza o sepultamento de cães, gatos e animais de pequeno porte no cemitério municipal. A proposta, apresentada com a justificativa de atender às necessidades dos tutores e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente e a saúde pública, permite o enterro voluntário, não sendo obrigatório nem válido para animais de rua.
Segundo a defesa da proposta, o objetivo é evitar a contaminação do subsolo e a transmissão de doenças, assegurando uma destinação adequada para os animais de estimação. O texto não se aplica a animais sem dono, e a decisão de enterrar ou não fica a critério do tutor.
Durante o debate, o comentarista Bruno Silva ressaltou que, embora a pauta trate de uma causa nobre, a solução apresentada é ‘curiosa’ e carece de um desenho institucional mais robusto. ‘É como tentar vender uma ideia que é bacana para o povo, mas você acaba criando um problema de agenda e de responsabilidade para o poder público como um todo’, disse, ao vivo, Fer.
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Na visão dele, uma alternativa coerente seria desenhar uma política municipal de bem-estar animal com a criação de uma área específica para sepultamento, possivelmente um cemitério ou setor dedicado, acompanhado de campanha educativa para evitar abandono e maus-tratos, sem conflitar com o espaço destinado às pessoas.
O comentarista acrescentou que a solução paliativa pode empurrar o debate para uma ‘política maniqueísta’ que não ajuda a avançar a pauta. ‘Se for fazer uma elaboração legislativa bem-feita, deve haver destinação correta do espaço’, concluiu.
De acordo com a Câmara, apenas um vereador votou contra o projeto; o restante apoiou a ideia. A reportagem apurou que o tema pode inspirar outras cidades da região, mas há o alerta para que se busquem boas práticas, e não apenas soluções de efeito para consumo eleitoral.
Caso a proposta avance, a expectativa é de que o município desenvolva uma política pública mais completa, com destinação de espaço, regulamentação de sepultamentos e campanhas de conscientização para reduzir o abandono de animais.