Objetivo é coibir essas práticas e dar mais segurança aos usuários e profissionais que prestam o serviço na cidade
Uma audiência pública na Câmara de Ribeirão Preto discutiu, nesta terça-feira à tarde, o aumento dos atos de vandalismo e da prática conhecida como “rabeira” contra o transporte público da cidade. Convocada pelo vereador Igor Oliveira, a reunião contou com representantes do consórcio Prourbano, do poder judiciário, da Polícia Militar, da Guarda Civil Metropolitana, do sindicato dos motoristas e dos conselhos de proteção à criança e ao adolescente.
Debate sobre fiscalização e operações preventivas
Autoridades relataram que a fiscalização foi intensificada nas últimas semanas. O tenente da Polícia Militar Felipe Diolanda Silva informou que, desde 20 de fevereiro, vêm sendo realizadas operações nos horários mais críticos e em pontos considerados vitais na área oeste da cidade. A Guarda Civil Metropolitana, por sua vez, afirmou que também tem feito patrulhamento e ações preventivas nos locais com maior ocorrência.
Segundo os órgãos de segurança, as operações visam inibir a prática de rabeira e outros atos de vandalismo que já provocaram interrupções no serviço de ônibus e colocaram em risco a vida de usuários. A coordenação conjunta entre Polícia Militar, Guarda Civil e agentes do Prourbano foi destacada como fundamental para a redução de ocorrências.
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Consequências, números e relatos dos trabalhadores
Na audiência, foi informado que, nos últimos dez anos, quatro mortes em Ribeirão Preto estão relacionadas à prática da rabeira, incluindo dois adolescentes de 12 anos, um jovem de 15 e outro de 17 anos. Este ano, foram registradas 70 ocorrências de vandalismo que geraram paralisações de ônibus, especialmente na região norte.
José Henrique Bueno, presidente do sindicato dos motoristas, descreveu a sensação de insegurança da categoria e relatou danos frequentes aos veículos: lanternas quebradas, placas e para-choques arrancados, entre outros prejuízos. Ele afirmou que atos de rabeira costumam preceder o vandalismo e pediu maior presença e atuação das forças de segurança nos pontos críticos.
Medidas socioeducativas e prevenção entre jovens
O juiz da Infância e Juventude, Paulo César Gentili, explicou que adolescentes flagrados em atos de vandalismo respondem a processo e podem ser submetidos a medidas socioeducativas, além de sofrerem consequências secundárias, como a perda de bens — citando, por exemplo, a apreensão de bicicletas usadas na prática. Gentili ressaltou, contudo, que simplesmente segurar-se à traseira de um ônibus (pegar rabeira) não constitui crime por si só, mas pode levar à prática de crimes, como dano ao patrimônio.
A conselheira tutelar Edir Maria Fernandes defendeu ações preventivas voltadas à escolarização e à oferta de projetos esportivos e culturais para crianças e adolescentes, enfatizando que investimentos locais em oportunidades educativas podem ser mais eficazes do que medidas punitivas isoladas.
Raquel Vieira, gestora do consórcio Prourbano, avaliou positivamente a audiência e destacou a importância da articulação entre sociedade civil, órgãos de segurança e instituições de proteção para enfrentar o problema. Ficou registrada a intenção dos órgãos de intensificar a fiscalização rotineira e de promover iniciativas de prevenção direcionadas aos locais e horários de maior risco.
As providências anunciadas deverão ser acompanhadas em novos encontros e ações conjuntas, com foco na proteção de usuários e na redução dos episódios de vandalismo no transporte coletivo.



